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16 de março de 2026

Março amarelo endometriose – Dr. Marcos Tcherniakovsky

Ginecologista e Obstetra

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Março Amarelo: por que a endometriose ainda é subdiagnosticada no Brasil?
Especialista comenta sinais de alerta, impacto da condição e importância de diagnóstico precoce
São Paulo, março de 2026 – O Março Amarelo reforça o alerta para uma doença que pode afetar aproximadamente 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva, segundo estimativas baseadas em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mesmo com alta prevalência, a endometriose ainda é subdiagnosticada e frequentemente confundida com “cólica forte”.
Afinal, o que é a endometriose?
De acordo com o Dr. Marcos Tcherniakovsky, ginecologista, especialista em endometriose e Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), a doença ocorre quando o tecido que reveste a parte interna do útero (endométrio) se desloca para fora da cavidade uterina.
“Durante a menstruação, parte desse material pode refluir pelas tubas uterinas e atingir a cavidade abdominal. Com isso, pode se implantar em regiões como atrás do útero, ovários, intestino e bexiga. Esse processo desencadeia uma reação inflamatória que varia de quadros leves até manifestações severas”, explica o médico.
Sintomas
Os sintomas são variados e podem ser incapacitantes. Dismenorreia intensa (cólica menstrual profunda), dor pélvica crônica que persiste além do período menstrual, dor durante as relações sexuais, desconforto intestinal ou urinário que acompanha o ciclo e dificuldade para engravidar são algumas das manifestações relatadas com maior frequência. Muitas pacientes convivem com esses sinais por anos sem receber um diagnóstico formal, o que compromete tanto a saúde física quanto o bem-estar emocional.
“Muitas mulheres normalizam a dor por anos, o que contribui para o atraso no diagnóstico. A dor incapacitante não deve ser considerada algo comum”, alerta o especialista.
Quem pode desenvolver a doença?
A endometriose está relacionada ao período reprodutivo da mulher. Pode surgir desde a primeira menstruação que pode ocorrer a partir dos 10 ou 11 anos até a menopausa. “Chamamos esse intervalo de menacme, fase em que a mulher está menstruando. Em todo esse período existe a possibilidade de surgimento da endometriose”, ressalta o Dr. Marcos.
Diagnóstico precoce é decisivo
O diagnóstico precoce e o manejo adequado são fundamentais para minimizar complicações. O tratamento pode incluir opções farmacológicas, terapias hormonais e, nos casos mais avançados, intervenção cirúrgica. “Um acompanhamento clínico multidisciplinar é essencial para reduzir a dor, preservar a fertilidade quando desejado e promover melhor qualidade de vida”, conclui o especialista.
Ampliar a conscientização sobre os sinais de alerta e estimular a busca por avaliação médica pode diminuir o tempo até o diagnóstico e, consequentemente, reduzir o impacto da doença no cotidiano das mulheres.

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