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17 de março de 2026

Março azul marinho – David Pinheiro Cunha

oncologista clínico e sócio do Grupo SOnHe

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Câncer Colorretal pode atingir 53 mil brasileiros por ano até 2028
Estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) aponta alta incidência no país e reforça que até 30% dos casos podem ser evitados com mudança no estilo de vida; Março Azul-Marinho reforça a prevenção por meio do exame de rastreio

Campinas/SP: O Brasil deve registrar 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto por ano no triênio 2026–2028. O número divulgado pelo INCA coloca a doença entre as três mais frequentes no país, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Do total estimado, são 26.270 casos entre homens e 27.540 entre mulheres, com risco aproximado de 25 casos para cada 100 mil habitantes. As maiores taxas de incidência concentram-se nas regiões Sul e Sudeste. Os dados reforçam o alerta do Março Azul-Marinho, mês dedicado à conscientização sobre o câncer colorretal. Especialistas destacam que cerca de 30% dos tumores que atingem o intestino e o reto podem ser evitados com mudanças consistentes no estilo de vida, especialmente relacionadas à alimentação, à prática de atividade física e à prevenção por meio do rastreamento.
Manter o corpo ativo, bem nutrido e atento aos exames preventivos é fundamental para reduzir o risco da doença. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que o consumo de carne vermelha não ultrapasse 500 gramas por semana, o equivalente a porções diárias menores que um bife do tamanho da palma da mão. Uma alimentação equilibrada, rica em fibras, com baixo consumo de alimentos ultraprocessados e ingestão moderada de carne vermelha, contribui diretamente para a proteção do intestino. Segundo o oncologista clínico David Pinheiro Cunha, sócio do Grupo SOnHe, um dos fatores associados ao aumento do risco é o ferro heme presente na carne vermelha. “Esse componente pode liberar radicais livres capazes de provocar mutações nas células do intestino. Respeitar o limite recomendado pela OMS já é uma forma eficaz de prevenção, sem que seja necessário adotar medidas radicais”, afirma. Ele ressalta ainda que a redução do consumo de carne vermelha não compromete a ingestão adequada de ferro, já que outras fontes de proteína, como carnes brancas e ovos, são suficientes para suprir essa necessidade.
A prática regular de atividade física também é determinante. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2021, apenas 36,7% dos brasileiros eram considerados fisicamente ativos, ou seja, realizavam ao menos 150 minutos semanais de atividade. O sedentarismo e a obesidade estão entre os principais fatores de risco para o câncer colorretal. “Mesmo em pessoas com predisposição genética, manter alimentação rica em fibras, reduzir o consumo de álcool e carne vermelha e praticar atividade física diariamente diminui significativamente as chances de desenvolver a doença”, alerta o médico. A qualidade do sono também integra esse conjunto de cuidados, já que influencia o equilíbrio hormonal, o controle do peso e a redução de processos inflamatórios no organismo.
Além dos hábitos saudáveis, o rastreamento tem papel central na redução da mortalidade. A colonoscopia é indicada pelo SUS para pessoas a partir dos 50 anos e permite identificar e remover pólipos antes que evoluam para câncer. No entanto, diante do aumento de casos em adultos mais jovens, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica recomenda que o exame seja realizado a partir dos 45 anos para pessoas sem histórico genético de alto risco. “A colonoscopia não é apenas um exame diagnóstico, ela é preventiva. Ao identificar lesões precursoras, conseguimos interromper a evolução para o câncer. Essa antecipação da faixa etária é necessária porque estamos observando a doença surgir cada vez mais cedo, muito associada ao estilo de vida moderno”, pontua David Pinheiro Cunha.
Diante do cenário apresentado pelo INCA, especialistas reforçam que informação, mudanças no estilo de vida e adesão aos exames de rastreamento são as principais estratégias para reduzir o impacto do câncer colorretal no Brasil nos próximos anos.

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