Em um período marcado pelo Dia Mundial da Saúde (7 de abril) e pelo Dia Mundial da Saúde Digestiva (29 de maio), especialistas destacam um ponto central: embora os avanços da medicina tenham ampliado as possibilidades de tratamento, a prevenção e o diagnóstico precoce ainda são determinantes para melhorar a saúde digestiva da população.
A Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) alerta que muitas doenças do trato gastrointestinal continuam sendo diagnosticadas tardiamente, frequentemente após meses ou anos de sintomas pouco valorizados. Ao mesmo tempo, cresce o acesso à informação e a conscientização sobre a importância de investigar sinais persistentes, o que abre espaço para um cenário mais favorável à detecção precoce.
Doenças digestivas estão entre as mais prevalentes no mundo, mas também entre as que apresentam maior potencial de controle quando identificadas precocemente. A doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica, por exemplo, atinge cerca de 25% da população adulta global e pode ser revertida com mudanças no estilo de vida. Já a doença celíaca, com prevalência estimada em torno de 1%, segue amplamente subdiagnosticada, embora tenha tratamento eficaz quando corretamente identificada.
“O grande avanço hoje não está apenas no tratamento, mas na possibilidade de agir antes da progressão da doença. Quando há atenção aos sinais e acompanhamento adequado, conseguimos mudar completamente a evolução desses quadros”, afirma o Dr Áureo de Almeida Delgado, presidente da FBG.
Entre as condições mais frequentes estão parasitoses intestinais, refluxo, infecção pelo Helicobacter pylori e doenças associadas, síndrome do intestino irritável, doença hepática metabólica, neoplasias digestivas, pancreatites, doença celíaca e doenças inflamatórias intestinais – muitas delas diretamente relacionadas ao estilo de vida, alimentação desequilibrada, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e estresse estão entre os principais fatores associados.
A FBG reforça que observar o próprio corpo é parte essencial da prevenção. Sintomas persistentes, como dor abdominal, alterações no hábito intestinal, azia frequente, perda de peso inexplicada ou anemia, devem ser avaliados. Sinais de alerta, como sangramento gastrointestinal e emagrecimento involuntário, exigem investigação imediata.
Outro ponto de atenção é o comportamento diante dos sintomas. A automedicação e a adoção de dietas restritivas sem orientação profissional podem mascarar quadros clínicos e atrasar o diagnóstico. Por outro lado, o acesso crescente à informação de qualidade tem contribuído para uma população mais consciente e ativa no cuidado com a própria saúde.
“Cuidar da saúde digestiva é cuidar do organismo como um todo. Pequenas mudanças de hábito, aliadas à informação confiável e ao acompanhamento médico, fazem diferença real na prevenção e no tratamento”, destaca Delgado.
A entidade reforça que a combinação entre hábitos saudáveis, atenção aos sinais do corpo e avaliação médica regular é o caminho mais eficaz para reduzir o impacto das doenças gastrointestinais e promover qualidade de vida.