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16 de abril de 2026

Quando tudo gira: tontura é comum mas exige atenção em alguns casos – José Carlos Convento Junior

otorrinolaringologista do Vera Cruz Centro Médico de Indaiatuba

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Sensação de cabeça leve, desequilíbrio, tudo girando: a tontura é uma queixa frequente nos consultórios e pode afetar diretamente a rotina e a qualidade de vida. Apesar de comum, o termo é amplo e costuma gerar confusão. Enquanto a tontura descreve uma desorientação espacial, a vertigem é um quadro mais específico, marcado pela sensação de movimento, como se o ambiente ou o próprio corpo estivesse girando, mesmo parado.
No Brasil, o problema é mais disseminado do que se imagina. Estimativas apontam que até 35% da população pode apresentar episódios ao longo da vida.
Um estudo epidemiológico realizado na cidade de São Paulo por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), com apoio da FAPESP, indica uma prevalência ainda maior: cerca de 42% entre adultos, com incidência mais elevada em mulheres e idosos. Mesmo assim, embora 27% relatem impacto nas atividades diárias, menos da metade busca atendimento médico.
Na prática clínica, a percepção é de crescimento nos casos. Segundo o otorrinolaringologista José Carlos Convento Júnior, do Vera Cruz Centro Médico Indaiatuba, fatores contemporâneos ajudam a explicar esse cenário. “Estresse, ansiedade, sedentarismo, uso excessivo de tecnologia e até possíveis sequelas pós-Covid-19 estão entre os principais gatilhos”, afirma.
Entre as causas mais comuns estão a neurite vestibular, a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) — conhecida como “tontura dos cristais” —, a enxaqueca vestibular e alterações metabólicas.
Embora a maioria dos episódios não esteja associada a quadros graves, alguns sinais funcionam como alerta. Tontura súbita e intensa, especialmente quando acompanhada de dificuldade para falar, engolir ou andar, perda de força, visão dupla, dor de cabeça ou no peito, taquicardia ou desmaios, exige avaliação médica imediata.
Além das causas clínicas, o estilo de vida tem peso importante no surgimento e na intensificação dos sintomas. “O estresse e a ansiedade podem desencadear ou agravar a tontura. Sedentarismo e alimentação inadequada também contribuem. Em casos pós-Covid, há indícios de alterações no sistema vestibular e no controle autonômico”, explica o especialista.
Outro fator cada vez mais presente é o uso prolongado de telas. A exposição excessiva pode provocar fadiga ocular e interferir na integração entre visão e equilíbrio, além de favorecer má postura e inatividade física.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado no histórico do paciente e no exame físico, com apoio de exames complementares quando necessário. Já o tratamento varia conforme a causa. “Grande parte dos casos pode ser controlada com mudanças de hábitos. Em situações específicas, como na VPPB, manobras terapêuticas simples costumam resolver”, destaca.
Idosos e mulheres estão entre os grupos mais afetados. No primeiro caso, pelo envelhecimento natural do sistema vestibular e pela maior presença de doenças associadas. No segundo, por influência de fatores hormonais.
A prevenção passa por medidas relativamente simples, mas nem sempre adotadas: alimentação equilibrada, boa hidratação, sono regular, prática de exercícios físicos e controle do estresse. Também é recomendável evitar longos períodos em jejum, consumo excessivo de álcool e cafeína, além do uso prolongado de telas.
Quando os sintomas se tornam frequentes ou persistentes, a orientação é clara: procurar avaliação especializada. “Ouvir o corpo e buscar acompanhamento médico são passos fundamentais para evitar complicações e recuperar a qualidade de vida”, conclui o otorrinolaringologista.

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