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Novo estudo relacionado ao AVC com Perda de Força Muscular – Dr. Carlos Bosco -Neurologista do Hospital Edmundo Vasconcelos

Novo estudo relacionado ao AVC com Perda de Força Muscular – Dr. Carlos Bosco -Neurologista do Hospital Edmundo Vasconcelos

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Um estudo publicado na revista científica Stroke acendeu um alerta para a relação entre a fragilidade física,  especificamente a sarcopeniacaracterizada pela perda de força e massa muscular, e o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC). A pesquisa, que acompanhou 482.699 participantes no Reino Unido por um período médio de 13,7 anos, identificou que a perda de função muscular e a velocidade reduzida ao caminhar são fortes preditores da doença e do prognóstico dos pacientes. 

De acordo com os resultados do estudo, pessoas diagnosticadas com sarcopenia provável apresentaram um risco 30% maior de sofrer um AVC, seja isquêmico ou hemorrágico, enquanto aqueles com o diagnóstico de sarcopenia confirmada tiveram um risco 42% superior em relação aos que não tinham a condição. 

A pesquisa avaliou marcadores específicos de desempenho físico: 

Força de Preensão Palmar: Cada redução de 5 kg na força do aperto de mão foi associada a um aumento de 7% no risco de sofrer qualquer AVC. 

Ritmo de Caminhada: Os participantes que relataram caminhar em um ritmo lento tiveram uma probabilidade 64% maior de sofrer um AVC em comparação com aqueles que mantêm um ritmo ágil/rápido. 

Mortalidade Pós-AVC: Entre os participantes que sofreram um AVC durante o estudo, a presença de sarcopenia provável ou confirmada aumentou significativamente a taxa de mortalidade por todas as causas após o evento vascular. 

O diferencial genético: ritmo de caminhada e causalidade 

O estudo, liderado por Li-Li Tang e colaboradores, foi além das observações tradicionais ao aplicar uma análise avançada de Randomização Mendeliana (RM) utilizando dados genéticos. A RM demonstrou que um ritmo de caminhada mais rápido possui um efeito causal direto na redução do risco de AVC geral (redução de 6%) e AVC isquêmico (redução de 5%). Por outro lado, a força de preensão manual não mostrou relação causal direta, indicando que a fraqueza muscular nas mãos funciona, na verdade, como um reflexo prático do acúmulo de outras doenças crônicas e do envelhecimento biológico. 

Outro achado relevante foi que os efeitos protetores da força muscular e do ritmo de caminhada foram mais pronunciados em mulheres do que em homens. Além disso, os benefícios do ritmo de caminhada foram mais evidentes em pessoas de peso normal ou sobrepeso, perdendo força no grupo com obesidade severa, cujo peso sobrecarrega os benefícios metabólicos da musculatura. 

Para o médico Carlos Bosco, neurologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, os resultados do estudo são altamente coerentes com a prática clínica. "A força muscular e a velocidade da caminhada funcionam como marcadores da saúde vascular e neurológica. A sarcopenia reflete um processo inflamatório crônico sistêmico. Exercícios físicos, especialmente os de resistência (musculação), geram estresse mecânico benéfico nas artérias e combatem a aterosclerose, que é a principal causa de AVC", explica. 

O que é AVC? - O AVC ou derrame é uma condição em que há interrupção do fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro. Existem dois tipos principais: o AVC isquêmico, que ocorre por obstrução de uma artéria por um coágulo, responsável por 9.449 dos casos documentados no estudo do Reino Unido; e o AVC hemorrágico, causado pelo rompimento de um vaso sanguíneo, sendo 2.029 dos casos do estudo. Ambos exigem atendimento imediato. 

No Brasil, o Ministério da Saúde afirma que o AVC lidera o ranking de causas de morte. A cada seis minutos é registrado um óbito pela doença no País (265 mortes por dia). O aumento em jovens também chama atenção, respondendo hoje por um incremento de 44% dos casos em pessoas com menos de 50 anos (o estudo de Tang et al. reforça que o declínio físico em jovens é um sinal precoce crucial de déficits de saúde). 

Sinais de Alerta - Os sintomas do AVC surgem de forma súbita. Utilize a regra do "Rosto, Braço, Fala":

Rosto: Peça para a pessoa sorrir. Veja se um lado da boca entorta ou fica dormente.

Braço: Peça para levantar os dois braços. Veja se um deles cai ou não sobe por fraqueza.

Fala: Peça para cantar uma música ou repetir uma frase. Note se a fala está enrolada.

Outros sinais: Perda súbita de visão, tontura severa ou dor de cabeça intensa e repentina.

Se qualquer um desses sinais aparecer, mesmo que melhore espontaneamente, vá imediatamente ao pronto-socorro.

Como se proteger À luz dos novos achados, a prevenção do AVC exige um olhar atento à saúde musculoesquelética ao longo de toda a vida. Confira 7 dicas práticas para prevenir:

 

Pratique exercícios de resistência: A musculação e treinos de força muscular são os pilares para reverter a sarcopenia e proteger as paredes dos vasos sanguíneos. 

Acelere o passo: Adote o hábito de caminhadas rápidas diárias; a velocidade e a aptidão cardiorrespiratória reduzem o risco vascular de forma causal. 

Evite o comportamento sedentário: Reduza o número de horas que passa sentado ou inativo ao longo do dia. 

Controle os fatores tradicionais: Monitore rigidamente a pressão arterial (principal vilã do AVC), o diabetes, o colesterol e o peso corporal.

Abandone o tabagismo e restrinja o álcool: Ambos aceleram tanto o envelhecimento arterial quanto a perda de massa muscular. 

Alimentação de qualidade: Priorize grãos integrais, vegetais e proteínas de alto valor biológico para a síntese muscular. 

Monitore sua mobilidade: Se notar que está perdendo força para levantar objetos, abrir potes ou que seu ritmo de caminhada habitual está ficando progressivamente mais lento, busque avaliação médica. A saúde muscular é, também, a saúde do seu cérebro.

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