Entrevista com: Larissa Aguirre, Diretora Técnica do Grupo Conduzir e Psicóloga especialista em análise do comportamento aplicada
Contratação de profissionais com TEA cresce no Brasil, mas inclusão ainda exige preparação e suporte ao longo da vida A contratação de profissionais com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem avançado no Brasil, mas a inclusão no mercado de trabalho ainda enfrenta desafios importantes.
Levantamento divulgado pela plataforma especializada em recrutamento inclusivo Egalité, em parceria com a Diversitera, aponta que as oportunidades para pessoas autistas vêm aumentando, embora ainda estejam concentradas em determinadas áreas e regiões do país. O cenário reforça a necessidade de ampliar o olhar sobre a inclusão profissional. Dados do Painel TEA Brasil 2025, elaborado pelo Grupo Conduzir, mostram que, apesar do crescimento no número de estudantes com TEA matriculados na educação básica, apenas 12,3% chegam ao ensino médio, evidenciando obstáculos significativos na trajetória educacional e na preparação para a vida adulta.
Segundo Larissa Aguirre, Diretora Técnica do Grupo Conduzir e Psicóloga especialista em análise do comportamento aplicada, a inclusão no mercado de trabalho começa muito antes da fase de contratação. “Quando falamos sobre empregabilidade de pessoas autistas, precisamos olhar para toda a trajetória de desenvolvimento.
Habilidades relacionadas à comunicação, autonomia, interação social, resolução de problemas e adaptação a diferentes contextos são construídas ao longo da vida e influenciam diretamente as oportunidades na vida adulta”, explica.
O próprio Painel TEA Brasil 2025 revela que muitos adultos diagnosticados tardiamente relatam dificuldades sociais, de relacionamento e de carreira, indicando que barreiras enfrentadas na infância e adolescência podem gerar impactos duradouros.
Para Larissa, as empresas têm papel fundamental nesse processo, mas a responsabilidade pela inclusão não deve recair apenas sobre o ambiente corporativo.
“A contratação é um passo importante, mas a inclusão efetiva depende também de ambientes preparados para acolher as diferenças, oferecer suporte adequado e valorizar as potencialidades de cada profissional. Quando existe esse compromisso, todos ganham: a pessoa autista, a empresa e a sociedade”, destaca.