Vestibulares colocam estudantes diante da prova mais difícil: escolher o próprio futuro – Raphael Santa Terra

Vestibulares colocam estudantes diante da prova mais difícil: escolher o próprio futuro – Raphael Santa Terra

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Agosto muda o ritmo da vida de milhares de estudantes brasileiros. Com a abertura das inscrições para o Vestibular Unicamp 2027, começa oficialmente a sequência de etapas que culminará nas provas do Enem e da Fuvest. É o período em que os cronogramas de estudo ficam mais intensos, as revisões se multiplicam e a ansiedade passa a disputar espaço com o conteúdo. Para educadores e especialistas, a preparação para essa maratona exige muito mais do que domínio das disciplinas: exige equilíbrio emocional para lidar com expectativas, incertezas e com uma das decisões mais importantes da juventude. Essa preocupação acompanha um cenário que vem chamando a atenção no Brasil. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do IBGE, aponta que questões relacionadas à saúde mental estão cada vez mais presentes entre adolescentes brasileiros. Estudos nacionais também mostram que sintomas de ansiedade impactam diretamente a concentração, a aprendizagem e o rendimento escolar, especialmente nos anos finais da Educação Básica, quando as escolhas profissionais passam a ocupar o centro das preocupações dos jovens.
No Colégio RDS Swiss, a preocupação com a saúde mental dos alunos motivou a estruturação de um programa permanente de acompanhamento voltado aos estudantes da terceira série do Ensino Médio. Uma vez por mês, eles participam de encontros conduzidos pelo psicanalista Juliano Casarin, em uma proposta que une escuta, reflexão e orientação sobre escolhas profissionais. Mais do que discutir cursos ou vestibulares, os encontros estimulam os jovens a refletir sobre suas preferências, seus valores e o projeto de vida que desejam construir. "Essa é uma fase muito delicada porque o jovem busca admiração, reconhecimento e respeito, principalmente da família. Muitas vezes, a escolha da profissão acaba sendo direcionada pela expectativa dos outros, pelo retorno financeiro ou pelo status que determinada carreira representa. Nosso trabalho é ajudá-los a refletir sobre aquilo que realmente faz sentido para suas vidas, entendendo que esse período também é feito de experimentações. A ansiedade em torno dos vestibulares é muito presente. Todos querem chegar logo ao resultado, mas esquecem que existe um processo, um passo de cada vez", explica Juliano. Entre as dinâmicas propostas está a construção da chamada Caixa do Futuro, atividade em que cada estudante responde a uma pergunta simples, mas profunda: onde quero estar exatamente um ano a partir de hoje?
O acompanhamento emocional acontece em paralelo ao suporte pedagógico desenvolvido pela equipe da escola. O desempenho de cada estudante é acompanhado de forma individualizada para identificar dificuldades, potencialidades e estratégias capazes de fortalecer sua preparação ao longo da reta final do Ensino Médio. "Esse projeto de suporte emocional e pedagógico é reflexo do olhar que o Colégio RDS Swiss tem sobre o processo de formação do aluno. Não é apenas sobre passar no vestibular, mas sobre construir um projeto de vida sólido e consciente. Quando acompanhamos cada estudante de forma personalizada, conseguimos compreender que nem sempre o resultado de um simulado traduz o conhecimento que ele possui. O aluno é muito maior do que uma nota isolada. Muitas vezes, o que falta naquele momento não é conteúdo, mas segurança, confiança ou equilíbrio emocional para colocar em prática tudo o que já aprendeu", afirma o coordenador geral do Colégio RDS Swiss, Raphael Santa Terra.
Os reflexos desse trabalho já puderam ser percebidos na volta às aulas do segundo semestre. Segundo Raphael Santa Terra, os estudantes retornaram mais tranquilos e conscientes do caminho que desejam percorrer. "Percebemos alunos mais confiantes, mais leves e muito mais focados nos próprios objetivos. Quando o jovem entende que o vestibular faz parte de um projeto maior, a ansiedade deixa de ocupar todo o espaço e ele consegue direcionar melhor sua energia para aquilo que realmente importa", avalia. Juliano Casarin também considera positivo o percurso desenvolvido ao longo do primeiro semestre e acredita que os próximos encontros contribuirão para que os alunos encerrem o ano ainda mais seguros de suas escolhas. "Nossa expectativa é fechar este ciclo com jovens mais direcionados e, quem sabe, ampliar esse trabalho para os estudantes da segunda série do Ensino Médio no próximo ano. Quanto mais cedo eles aprendem a respeitar o próprio projeto de vida, menos ansiosos e mais confiantes tendem a ficar diante das escolhas que virão."

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