Da Redação, Campinas-SP
10/09/2026 . 19h09
Os empregados da Caixa Econômica Federal iniciaram nesta quinta-feira (10) uma greve por tempo indeterminado em todo o país. Em Campinas e em outros 37 municípios da área de cobertura do sindicato local, a adesão foi total em todas as unidades da instituição bancária pública. A mobilização ocorre no dia seguinte à assinatura do acordo coletivo dos bancos privados, após a categoria rejeitar as condições apresentadas especificamente pela direção da estatal.
A decisão de cruzar os braços foi tomada em assembleia realizada pela base de representação dos trabalhadores. Enquanto os funcionários dos bancos privados aprovaram a proposta oferecida pela Federação Nacional dos Bancos, a minuta enviada pela gestão da Caixa foi considerada insuficiente para suprir as demandas da categoria, desencadeando a paralisação por prazo indeterminado.
Diferenças em relação ao setor privado e pauta de reivindicações
O movimento paredista da Caixa acontece em um cenário distinto do restante do setor financeiro. Na quarta-feira (9), a representação dos bancários assinou a Convenção Coletiva de Trabalho com a Fenaban, garantindo para os trabalhadores de bancos privados a reposição integral da inflação calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor, com acréscimo de 0,6% de aumento real para os próximos dois anos.
O índice negociado com os bancos privados incide sobre salários, vale-alimentação, vale-refeição, Participação nos Lucros e Resultados e demais auxílios. A convenção da rede privada incorporou ainda cláusulas voltadas à saúde mental, ao combate ao assédio no ambiente de trabalho, regras para desconexão do expediente, limites para monitoramento digital, programas de requalificação profissional e indenizações suplementares em caso de demissões motivadas pelo encerramento de agências.
No entanto, no caso do banco público, as contrapropostas apresentadas pela diretoria não obtiveram aval dos empregados, culminando na deflagração do movimento para forçar o avanço da negociação sobre as especificidades do trabalho na empresa estatal.
Mesas de negociação e atendimento ao público
Diante do impasse, a administração da estatal encaminhou ofício à Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro para retomar as conversas em mesa de negociação, afirmando manter o diálogo aberto em busca de um alinhamento entre as partes.
Com o fechamento das unidades físicas em Campinas e nos municípios vizinhos, o atendimento aos clientes e a execução de serviços bancários presenciais ficam suspensos durante o período de greve. A instituição direciona os usuários para as plataformas digitais, como o aplicativo próprio, o internet banking, o canal via WhatsApp e os sistemas voltados a programas sociais, habitação e cartões.