Da Redação, Campinas, SP.
15/09/2026 . 14H56
A cidade de Sumaré, na Região Metropolitana de Campinas, passa a contar a partir de novembro com um plano direcionado ao enfrentamento de desastres climáticos e à proteção de populações periféricas expostas a inundações e deslizamentos. O Plano Municipal de Redução de Riscos, que teve os trabalhos iniciados no começo deste ano por pesquisadores do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entra na fase final de elaboração após novos episódios de temporais atingirem a região.
O projeto faz parte de uma política pública coordenada pelo Ministério das Cidades, que estabeleceu parceria com 15 universidades do país no final de 2023 para formular diretrizes de prevenção em 20 municípios. O modelo aplicado em Sumaré segue metodologia semelhante à adotada no município de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, onde um levantamento da instituição de ensino foi implementado no ano passado.
Inundações no Ribeirão Quilombo e impacto nas famílias
A urgência do diagnóstico foi evidenciada pelas chuvas recentes que atingiram o município. O transbordamento do Ribeirão Quilombo provocou o alagamento de mais de cem residências e deixou ao menos dez famílias desabrigadas, concentrando os danos em localidades como Vila Diva, Jardim Primavera e Jardim Picerno.
As populações afetadas nesses bairros demandam suporte assistencial imediato, que inclui desde itens básicos de higiene até vestuário. Os episódios de alagamentos e desabrigações também se repetiram em outros municípios da Região Metropolitana de Campinas, a exemplo de Monte Mor, Capivari, Americana e Campinas, que registraram transtornos e permaneceram sob alertas emitidos pela Defesa Civil. Diante da situação de emergência, a reitoria da Unicamp, representada pelo reitor Paulo César Montagner, divulgou nota de solidariedade aos moradores atingidos.
Mapeamento de áreas críticas e participação comunitária
A proposta em desenvolvimento pela universidade abrange a setorização detalhada dos locais vulneráveis. O trabalho técnico identifica trechos suscetíveis ao transbordamento de cursos d'água, alagamentos urbanos, deslizamentos de encostas e erosões na margem de córregos, elaborando recomendações específicas para cada ponto crítico.
Um dos eixos do estudo consiste na escuta direta das comunidades que residem nas áreas afetadas, realizada por meio de plenárias públicas e oficinas. Segundo o coordenador da equipe, professor Jefferson Picanço, a contribuição dos moradores é fundamental para compreender a dinâmica das águas, a frequência das cheias e a extensão dos prejuízos enfrentados pelas famílias, garantindo que o diagnóstico reflita a realidade cotidiana das periferias. O documento final será apresentado à administração municipal e à comunidade local no próximo mês.