Da Redação, Campinas, SP.
16/09/2026 * 16H11
A construção do futuro Hospital Metropolitano de Campinas, voltado ao atendimento de média e alta complexidade, desencadeou uma das maiores ações de compensação ambiental recentes na infraestrutura urbana do município. Para viabilizar a implantação da unidade hospitalar, que receberá investimento estimado em R$ 553 milhões e terá capacidade para 400 leitos, a Prefeitura de Campinas dará início, na primeira semana de outubro, ao plantio de 8,9 mil mudas de árvores nativas da região. As novas espécimes serão distribuídas ao longo da bacia hidrográfica do córrego do Piçarrão, em trecho que abrange o trecho entre as avenidas Prefeito Faria Lima e Prefeito Magalhães Teixeira.
O plano de manejo vegetal ocorre como contrapartida obrigatória após a liberação da licença ambiental concedida pela Secretaria Municipal do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade. O parecer autorizou a supressão de 508 árvores situadas no terreno doado pela administração municipal para a edificação do complexo. A proporção fixada no licenciamento estabelece a recomposição de quase 17 novas mudas para cada exemplar retirado da área de obras.
O levantamento florístico realizado no local apontou que mais da metade das vegetações extraídas é composta por espécies exóticas, somando 273 exemplares que não pertencem à flora nativa local. A catalogação técnica indicou ainda a presença de 185 espécimes nativas, 46 classificadas como invasoras e quatro árvores já secas ou mortas. Em relação ao porte das espécimes afetadas pelo nivelamento da área, o inventário registrou 388 árvores de médio porte, 68 de grande porte e 52 de pequeno porte.
Conforme o planejamento das equipes de obras e urbanismo, a remoção da vegetação é etapa indispensável para permitir o nivelamento e a adequação do solo onde será erguida a estrutura de fundação do complexo hospitalar. O secretário de Serviços Públicos de Campinas, Ernesto Paulella, enfatiza que o procedimento técnico visa adequar o terreno para receber a base da nova unidade, ressaltando que o volume de mudas destinadas ao reflorestamento supera em cerca de 17 vezes o quantitativo retirado do lote.
Além do plantio reparador na bacia do córrego do Piçarrão, os resíduos orgânicos originados no processo de extração terão destinação específica. Galhos, folhagens e troncos cortados serão transferidos para a Usina Verde de Compostagem do município. No local, o material passará por processamento para ser transformado em adubo orgânico, que posteriormente será utilizado pelas equipes de manutenção de parques, praças e áreas verdes públicas de Campinas.
A edificação do Hospital Metropolitano busca suprir um déficit histórico no sistema público de saúde da Região Metropolitana de Campinas. O prazo estipulado para a conclusão da infraestrutura hospitalar é de 36 meses a partir do início das intervenções no terreno. O aporte financeiro prevê atender a demanda prioritária de vagas para pacientes que dependem de atendimentos especializados pelo Sistema Único de Saúde, reduzindo a saturação registrada nas redes municipal e regional de saúde.