Da Redação, Campinas, SP.
28/09/2026 * 15H08
Uma força-tarefa composta pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e pelo Ministério da Fazenda retirou do ar 506 sites com indícios de operação irregular de apostas online. A ofensiva ocorre logo após a edição de medida provisória pelo governo federal que determinou a proibição das chamadas bets em todo o território nacional, medida que afeta diretamente o consumo digital e o acesso a plataformas de jogos no país.
A atuação conjunta das pastas busca interromper o acesso a endereços sem autorização e impedir a criação de novos domínios para a oferta de jogos ao público brasileiro. Além do bloqueio de sites, os órgãos federais ampliaram o rastreamento de propagandas e campanhas de captação de usuários em redes sociais e buscadores.
Relatório elaborado pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado ao Ministério da Justiça, aponta que a publicidade de apostas continuava ativa em serviços mantidos por Meta, Google e TikTok. As peças promocionais ofereciam bônus financeiros e bonificações por indicação de novos cadastros.
O texto da medida provisória estabelece um período de dez dias para a remoção completa de anúncios que já estavam em veiculação e proíbe a publicação de qualquer nova campanha publicitária do setor. Durante a varredura, os técnicos identificaram 1,9 mil anúncios relacionados ao tema no Google, sem a possibilidade de divisão prévia entre materiais antigos e conteúdos publicados após a nova regra.
Nas plataformas do grupo Meta, a fiscalização localizou sete materiais publicitários ativos, sendo dois veiculados já sob a vigência da proibição. De acordo com o relatório, algumas páginas utilizavam nomes e domínios ocultos para disfarçar a identidade real do anunciante e o destino final do tráfego.
Grupos em aplicativos e novos domínios entram no radar de órgãos federais
O monitoramento do Ciberlab estendeu-se também a aplicativos de mensagens instantâneas. A equipe técnica identificou 43 canais e grupos em funcionamento no Telegram dedicados à divulgação de jogos de cassino e apostas, reunindo cerca de 212,6 mil participantes.
O levantamento registrou promessas de retornos financeiros de até 260% ao mês, venda de ferramentas automatizadas para palpites e alegações de taxas de acerto próximas a 100%. A lista com as contas identificadas foi remetida às autoridades competentes da Fazenda e da Justiça para análise técnica, administrativa e aplicação das sanções previstas.
Paralelamente às ações governamentais, levantamento da plataforma Bet Legal, gerida pela empresa de cibersegurança Iron Security, aponta o surgimento de 440 novos portais de apostas sem registro no país após a edição da medida provisória. O mapeamento da empresa privada acompanha a movimentação de endereços irregulares desde o início de setembro.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a fiscalização integrada continuará de forma permanente para evitar o deslocamento das operações para redes sociais, comunidades fechadas e servidores localizados fora do Brasil.