Cirurgia plástica segura: conheça o caminho para minimizar riscos
- O uso de medicamentos da classe GLP-1 deve ser informado antes da cirurgia
- O limite de 6 horas e o risco das cirurgias combinadas
Frequentemente, é noticiado na imprensa óbitos em cirurgias plásticas. Em qualquer procedimento cirúrgico, existem riscos, porém, eles podem ser minimizados e isso já começa na etapa da escolha do profissional que vai fazer a cirurgia plástica.
O cirurgião plástico Dr. Fernando Amato preparou dicas que podem auxiliar no passo a passo do procedimento estético.
- Pesquisa e escolha do profissional:
Antes de qualquer decisão, o paciente deve pesquisar sobre o médico, verificar se ele possui o Registro de Qualificação de Especialista (RQE) e buscar referências de outros pacientes. “Esses são passos fundamentais, mas não os únicos. A segurança de uma cirurgia plástica envolve uma jornada que se constrói ao longo de múltiplas consultas e exige o envolvimento do paciente em cada etapa”, alerta Dr. Amato.
- As três consultas antes da cirurgia
Para Dr. Fernando, o ideal são, pelo menos, três consultas com o médico e sua equipe antes da cirurgia: a primeira para que o médico e o paciente se conheçam, alinhem a proposta cirúrgica de acordo com a queixa e expectativa do paciente, além de solicitar exames pré-operatórios. A segunda consulta pode ser até mais detalhada, com revisão da proposta cirúrgica e a análise detalhada dos exames solicitados. Já a terceira serve para esclarecer todas as dúvidas do paciente.
“Sempre peço que um familiar, que estará à frente no pós-operatório, acompanhe em uma das consultas para evitar qualquer mal-entendido. Só agendo a cirurgia quando o paciente entendeu e concordou com a proposta cirúrgica, e quando os exames pré-operatórios já foram realizados. Acredito que é nessa fase inicial das consultas que começamos a minimizar possíveis complicações na cirurgia plástica”, detalha o especialista Dr. Fernando Amato.
Para o médico, a telemedicina é uma ferramenta facilitadora, mas a consulta presencial tem um valor ímpar na relação médico-paciente, permitindo examinar, reexaminar e capturar imagens da área do corpo onde será realizado o procedimento — a chamada documentação fotográfica.
“Hoje, contamos com a tecnologia 3D, que permite fazer simulações e ter uma perspectiva de como será o resultado da cirurgia plástica. Isso contribui muito para a compreensão do procedimento. Ou seja, o paciente consegue mostrar o que espera e o médico pode explicar o que pode ser alcançado, ajustando as expectativas e chegando o mais próximo possível do resultado real”, explica Dr. Amato.
É importante que a equipe reveja com o paciente o planejamento cirúrgico pelo menos três dias antes da cirurgia. É comum que o paciente deseje adicionar ou cancelar algum procedimento já contemplado, e saber quais materiais serão usados é um direito do paciente.
- O que o paciente não pode esconder
Um dos pontos mais críticos para a segurança cirúrgica está na transparência total do paciente sobre seu histórico de saúde. O Dr. Fernando Amato alerta para um risco silencioso e cada vez mais comum: o uso de medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Saxenda, amplamente utilizados para emagrecimento.
Esses medicamentos retardam o esvaziamento gástrico e podem comprometer a segurança da anestesia, aumentando o risco de broncoaspiração durante a sedação. O paciente deve informar à equipe médica: o nome do medicamento em uso, a dose atual, a data da última aplicação e a presença de sintomas digestivos como náuseas, plenitude gástrica ou refluxo.
“Muitas vezes, o paciente não considera um medicamento para emagrecimento como um 'remédio' relevante para a cirurgia. Mas essa omissão pode levar a riscos graves durante a anestesia. É fundamental que o cirurgião, o anestesiologista e o médico que prescreveu o remédio estejam alinhados”, ressalta o especialista.
Além disso, o paciente nunca deve suspender ou ajustar medicações por conta própria antes da cirurgia. Qualquer alteração deve ser decidida em conjunto pela equipe multidisciplinar. A regra é simples — listar todos os remédios de uso contínuo na primeira consulta e manter a comunicação transparente do início ao fim do processo.
- O limite de 6 horas e o risco das cirurgias combinadas
Muitas pessoas optam por aproveitar o momento cirúrgico para associar vários procedimentos — abdominoplastia, mamoplastia, lipoaspiração, rinoplastia, blefaroplastia, ninfoplastia — ganhando tempo na recuperação. Mas essa associação pode trazer riscos. O Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda um limite máximo de 6 horas para cirurgias combinadas. Tempos cirúrgicos excessivos estão diretamente relacionados a complicações como infecção, trombose, necrose e sofrimento de pele.
“Se você pretende associar procedimentos, converse com seu médico. Procure fazer associações que possam ser realizadas em menos de 6 horas. Às vezes, o aumento da equipe pode viabilizar isso — colocar um cirurgião auxiliar extra pode melhorar o tempo cirúrgico. Evite associações desnecessárias ou combinações que inviabilizem o trabalho em equipe. Tudo isso deve ser explicado e conversado com o seu médico”, orienta Dr. Amato.
- Checklist de segurança
No dia da cirurgia, é essencial fazer o checklist com o paciente:
- Jejum por escrito: ter a instrução formalizada evita erros de interpretação. O jejum não é um "castigo" — é uma medida técnica vital para aumentar a segurança da anestesia;
- Medicamentos revisados: garantir que o médico tenha total ciência de tudo o que o paciente utiliza;
- Contato da equipe salvo: essencial para comunicação rápida em caso de qualquer eventualidade antes da ida ao hospital.
“Outro ponto muito importante e que reforço com os pacientes é não copiar a orientação de outra pessoa. O plano anestésico, a medicação e a conduta mudam conforme o caso de cada paciente. O que foi seguro para um amigo ou parente pode não ser para você”, alerta Dr. Fernando Amato.
- Pós-operatório:
Mesmo após a cirurgia podem ocorrer complicações e essas possíveis complicações devem ser apresentadas ao paciente antes do procedimento, para que ele tenha plena ciência dos riscos.
“Às vezes, o médico está em cirurgia e não consegue se comunicar. Mas, se ele conta com uma equipe médica bem estabelecida e o suporte poderá ser dado ao paciente. Lidar e gerenciar possíveis complicações com uma equipe que acompanha o paciente desde antes da cirurgia é muito mais tranquilo, e o tratamento dessas complicações pode ser iniciado de forma mais precoce. A confiança do paciente no médico influencia muito no pós-operatório”, conta Dr. Amato.
Sobre o Dr. Fernando C. M. Amato – Graduação, Cirurgia Geral, Cirurgia Plástica e Mestrado pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP). Membro Titular pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, membro da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) e da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS).
Serviço:
www.amato.com.br
Instagram: https://www.instagram.com/meu.plastico.pro/