Política

Projetos do Executivo que alteram regras para moradia e reformas no Centro chegam à Câmara de Campinas

Projetos do Executivo que alteram regras para moradia e reformas no Centro chegam à Câmara de Campinas

Da Redação, Campinas, SP.

02/10/2026 * 16H03

A Prefeitura de Campinas aprovou a concessão de incentivos fiscais para a instalação de um novo data center da empresa Twenty Forty Seven no município. A decisão, publicada no Diário Oficial em 14 de setembro, prevê isenção ou redução de impostos como IPTU, ISS (incluindo o da construção civil) e ITBI, além de desoneração de taxas de aprovação, alvará e emolumentos. O projeto soma-se ao complexo previsto para a Fazenda Pau d'Alho, avaliado em R$ 5 bilhões e projetado para ser o maior da América Latina, sinalizando a retomada dos investimentos do setor na cidade após um hiato de 14 anos, período no qual novos empreendimentos priorizaram municípios vizinhos.

O enquadramento da Twenty Forty Seven ocorreu na categoria de unidade de logística, serviços e produtos, obtendo 89 pontos nos critérios exigidos pela legislação local. A administração municipal ressalta que a liberação final das obras e da operação segue vinculada ao cumprimento integral das obrigações legais, auditoria cadastral do imóvel e prestação anual de contas. A concessão dos benefícios não substitui nem conclui a emissão das licenças ambientais e dos alvarás de funcionamento necessários.

Expansão regional atinge alta de 91% na capacidade operacional

A chegada do empreendimento integra o plano de expansão da Twenty Forty Seven no estado, focado na estruturação de três campi entre a Capital e a Região Metropolitana de Campinas. Cada unidade prevê modelos modulares com potencial de até 300 megawatts de capacidade instalada ao longo das fases de desenvolvimento.

O movimento reflete o avanço acelerado da infraestrutura de processamento de dados na região. Levantamento da consultoria imobiliária Cushman & Wakefield indica que o eixo São Paulo-Campinas registrou alta de 91% na capacidade operacional do setor em 12 meses, saltando de 346 megawatts no primeiro semestre de 2025 para 661 megawatts no mesmo período de 2026. A concretização dos projetos em andamento representa uma expansão de 136,16% em relação aos níveis atuais.

Atualmente, o corredor conta com 250 megawatts em fase de construção e 2.066 megawatts projetados para os próximos anos. A capacidade planejada para a região supera a soma das projeções combinadas do México, Chile e Colômbia, que totalizam 1.470 megawatts.

Demanda por energia e água pressiona recursos regionais

O avanço desse polo tecnológico sobre o território regional fundamenta-se na malha de transmissão de energia elétrica, na conexão com centros de pesquisa e na oferta de trabalhadores qualificados. No entanto, a operação ininterrupta dos servidores exige consumo massivo de eletricidade e grandes volumes de água para o resfriamento contínuo das máquinas, cenário que coloca a gestão de recursos hídricos e energéticos no centro do debate sobre o impacto socioambiental dos megaempreendimentos nas cidades da região.

Entre os incentivos recentes para o setor está o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), programa federal recém-implementado que condiciona desonerações tributárias a regras de habilitação e contrapartidas ambientais.

Em anos anteriores, a ausência de incentivos específicos na sede municipal direcionou plantas similares para cidades limítrofes, como Hortolândia, Paulínia, Sumaré, Valinhos e Vinhedo, que concentraram a expansão dos serviços de armazenagem de dados na última década.

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