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Direitos Condominiais – Carlos Henrique Baldin – advogado há mais de 16 anos, com ampla experiência em assessoria jurídica empresarial e atuação estratégica em diversas áreas do Direito

Direitos Condominiais –  Carlos Henrique Baldin – advogado há mais de 16 anos, com ampla experiência em assessoria jurídica empresarial e atuação estratégica em diversas áreas do Direito

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Condomínios: direitos dos moradores, deveres dos síndicos e novas regras para carros elétricos estão entre os principais desafios da gestão

Barulho, inadimplência, animais de estimação, infiltrações e transparência nas contas estão entre as dúvidas mais frequentes da vida em condomínio; avanço dos veículos eletrificados também exige atenção à infraestrutura e à legislação

A convivência em condomínios envolve muito mais do que o pagamento da taxa mensal e o cumprimento das regras internas. Questões como barulho, uso das áreas comuns, presença de animais de estimação, responsabilidade por infiltrações e fiscalização das contas do síndico estão entre os temas que mais geram dúvidas e conflitos entre moradores e administradores.

O assunto ganha ainda mais relevância diante das transformações no perfil dos moradores e das novas demandas de infraestrutura, como a instalação de carregadores para veículos elétricos em garagens residenciais.

No Brasil, a administração condominial é orientada principalmente pelo Código Civil, pela Lei nº 4.591/1964, pela convenção e pelo regimento interno de cada empreendimento. Essas normas estabelecem direitos e deveres dos condôminos e delimitam as responsabilidades do síndico, que deve zelar pela conservação do patrimônio, fazer cumprir as regras, administrar os recursos e prestar contas de sua gestão.

Entre as dúvidas mais recorrentes está a existência de um suposto horário nacional de silêncio após as 22h. Embora esse período seja comum em regimentos internos e normas locais, não existe uma regra federal geral que permita qualquer nível de barulho antes desse horário. Ruídos excessivos podem ser questionados a qualquer momento, conforme as circunstâncias e a legislação aplicável.

Outro ponto de atenção é a inadimplência. O atraso no pagamento das taxas condominiais permite a adoção de medidas legais de cobrança, mas não autoriza, em regra, a proibição do uso de áreas comuns de lazer como forma de punição. Da mesma maneira, restrições à presença de animais precisam respeitar os direitos dos moradores e ser justificadas por critérios legítimos de segurança, higiene e convivência.

A transparência financeira também é essencial para uma gestão responsável. O artigo 1.348 do Código Civil estabelece o dever do síndico de prestar contas à assembleia, enquanto o artigo 1.356 prevê a possibilidade de criação de um Conselho Fiscal para examinar as contas e emitir parecer. Quando há dúvidas sobre despesas ou contratos, os condôminos podem solicitar esclarecimentos e, observados os requisitos legais, promover a convocação de uma assembleia extraordinária.

As infiltrações e os danos estruturais representam outro desafio frequente. A responsabilidade pelo conserto depende da origem do problema: falhas em instalações privativas podem gerar responsabilidade do proprietário ou de quem lhes deu causa, enquanto defeitos em elementos comuns podem exigir providências do condomínio. A identificação técnica da origem do dano é fundamental para evitar atribuições indevidas de responsabilidade.

Carregadores elétricos ampliam os desafios da gestão condominial

A expansão da mobilidade elétrica acrescenta uma nova frente de discussão para síndicos e moradores: como permitir a instalação de carregadores nas garagens sem comprometer a segurança das instalações e a capacidade elétrica do edifício.

A questão exige análise da infraestrutura existente, avaliação técnica, definição de responsabilidades, medição do consumo e observância das normas aplicáveis. Em São Paulo, a Lei Estadual nº 18.403/2026 trouxe regras específicas para a instalação individual de estações de recarga em vagas privativas, respeitados os requisitos técnicos e de segurança previstos na legislação.

O tema exige atenção especial quando a instalação demanda adaptações nas áreas comuns ou ampliações da infraestrutura elétrica, situações em que podem ser necessárias deliberações coletivas e avaliações adicionais.

Além disso, a gestão condominial precisa considerar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), especialmente no tratamento de cadastros de moradores, imagens de câmeras de segurança, registros de visitantes e informações utilizadas nos controles de acesso.

Informação e prevenção ajudam a reduzir conflitos

Conhecer a legislação e aplicar as regras de forma transparente são medidas fundamentais para prevenir conflitos e proteger os interesses coletivos. A atuação do síndico deve combinar conhecimento jurídico, organização administrativa, planejamento financeiro e diálogo com os moradores.

Com a crescente complexidade da vida em condomínio, a informação se torna uma ferramenta indispensável para que moradores, conselheiros e administradores tomem decisões conscientes, respeitem os direitos individuais e contribuam para uma convivência mais segura e equilibrada.

CG
Escrito por Camilla Godoy

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