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Meningite – Dr Tadeu Fernandes – médico pediatra

Meningite – Dr Tadeu Fernandes – médico pediatra

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Entrevista com o Dr Tadeu Fernandes. médico pediatra e atualmente ocupa o cargo de Presidente do Departamento científico de Pediatria Ambulatorial da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) e é membro do departamento científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo). 

Uma pesquisa global inédita realizada pela biofarmacêutica GSK acende um alerta no Brasil: embora muitos pais e jovens reconheçam a gravidade da doença meningocócica invasiva, muitos não têm consciência da sua velocidade e letalidade. Pelo menos 89% dos pais participantes consideram a doença meningocócica grave, mas apenas 19% (menos de 1 em cada 5) sabem que ela pode evoluir para o óbito em questão de poucas horas.5,10

 

Entre os adolescentes e jovens adultos (15 a 25 anos) participantes da pesquisa, a percepção de urgência é ainda menor: apenas 10% entendem a rapidez da infecção. Os dados também revelam a incerteza em torno do status de vacinação entre os jovens. Muitos não sabem que a adolescência é faixa etária prioritária para a imunização, nem se estão vacinados ou não.5,10 Essas descobertas apontam para uma necessidade urgente de maior conscientização sobre a rapidez com que a meningite meningocócica pode progredir e a importância da prevenção e do reconhecimento precoce.4,7 

 

O avanço do sorogrupo B no Brasil

O alerta da pesquisa coincide com uma mudança na epidemiologia da meningite meningocócica no País. Segundo dados do Ministério da Saúde, a partir de 2023, o sorogrupo B passou a ser o mais prevalente no Brasil.1 

 

A meningite pode ser difícil de diagnosticar porque seus sintomas iniciais frequentemente se assemelham aos de outras doenças.6,7 Sobreviventes apresentam complicações graves e transformadoras, incluindo perda auditiva, danos neurológicos ou perda de membro.6 Essas complicações têm impactos físicos, psicológicos e emocionais duradouros nos sobreviventes, suas famílias e cuidadores.8,9 

 

O levantamento mostra que 21% dos pais acreditam que a meningite já começa com sintomas graves e evidentes.5 Diretor médico de Vacinas da GSK Brasil, Rodrigo Nascimento (CRM SP 110.105) ressalta que os sintomas iniciais (febre, dor de cabeça e vômito) se confundem com outras doenças e a demora na busca por socorro pode levar o paciente a óbito.

 

"A meningite meningocócica pode começar com sintomas parecidos a outras infecções e progredir extremamente rápido, deixando pouco tempo para agir. Esses achados mostram a necessidade de maior conscientização sobre seus sinais e sintomas, a importância de buscar atendimento médico urgente quando necessário e conversas informadas sobre medidas preventivas, que podem incluir vacinação quando recomendada".

 

O ponto cego da adolescência

A pesquisa global revelou uma grande lacuna de informação. Apenas 29% dos pais e 24% dos jovens que responderam à pesquisa identificam adolescentes e jovens adultos como grupos recomendados para a imunização contra a meningite.5,10 O resultado dessa falta de informação reflete-se na "amnésia vacinal": 1 em cada 4 jovens brasileiros (25%) admite não saber se já tomou a vacina contra a doença. Além disso, apenas 10% reconhecem a morte como possível consequência da meningite meningocócica.5,10

 

"Fazer com que o conhecimento se traduza em ação é um desafio. A grande maioria das famílias brasileiras não sabe que estamos lidando com uma infecção que evolui de um mal-estar inespecífico para o risco de óbito ou sequelas irreversíveis em menos de 24 horas”, alerta Rodrigo Nascimento.

 

Outros destaques da pesquisa no Brasil5,10

  •         Entre os países pesquisados, o Brasil se destaca quando o assunto é o apoio absoluto à vacinação: 96% afirmam que é a coisa certa a fazer. O número está acima da média global de 86%.
  •         Os profissionais de saúde continuam sendo uma fonte altamente confiável de informação, com 95% pais e 93% jovens dizendo que confiam neles para obter informações sobre vacinas. Isso destaca o papel fundamental que desempenham em apoiar decisões informadas sobre a prevenção da meningite meningocócia em meio à desinformação.
  •         Espera passiva: 30% dos pais de crianças não vacinadas dizem esperar que a vacinação contra meningite seja discutida durante uma consulta médica.
  •         22% dos pais dizem que encontram informações sobre vacinas em Inteligência Artificial (IA). Entre os jovens que usam IA, 43% usariam a ferramenta para decidir se os sintomas da doença são urgentes antes de ir ao hospital.
  •         Menos da metade dos pais respondentes (44%) sabe que a doença pode causar problemas de equilíbrio ou coordenação, e apenas 32% a associam a doença à perda auditiva.

 

Sobre a meningite meningocócica

Causada pela bactéria Neisseria meningitidis, também chamada de meningococo, a meningite meningocócica é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, que pode deixar sequelas permanentes no paciente e até mesmo levar a óbito em 24 horas.2,7 A vacinação é a forma mais efetiva de prevenção contra a doença. Atualmente, no país, existem imunizantes diferentes para a proteção contra cinco sorogrupos da meningite: A, B, C, W e Y.2,4

 

Sobre a Pesquisa5,10

A pesquisa foi realizada pela Human8 em nome da GSK. A pesquisa quantitativa online incluiu 6.003 respondentes, compostos por pais de crianças de 0 a 18 anos (n=3.005) e jovens de 15 a 25 anos (n=2.998), na Argentina, Austrália, Brasil, França, Itália e Espanha. No Brasil, foram ouvidas 1.001 pessoas (501 pais e 500 jovens de 15 a 25 anos). A pesquisa global explorou a conscientização sobre a meningite meningocócica, risco percebido, atitudes e comportamentos em relação à vacinação, e as fontes de informação que moldam decisões de saúde entre pais e jovens. Os dados foram coletados entre 20 de maio e 12 de junho de 2026. Os pais responderam pensando no filho mais novo, com base no grupo etário relevante da criança, enquanto os jovens responderam sobre si mesmos.

 

 

CG
Escrito por Camilla Godoy

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