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Por Celina Silveira

Campinas inclui leitos exclusivos de gestantes no números de vagas totais de UTI-Covid-19

A Prefeitura de Campinas contabilizou quatro leitos de UTI-Covid exclusivos para gestantes na soma de vagas universais para pacientes com a doença. 

Atualmente, o SUS municipal conta com 86 leitos de UTI para qualquer paciente com Covid-19 e outros quatro exclusivos para gestantes com a forma grave da doença. Essas vagas de UTI para mulheres grávidas se encontram na Maternidade de Campinas.

Apenas neste mês, a Prefeitura passou a informar o número de leitos de UTI exclusivo para gestantes que estão disponíveis, depois de alerta da reportagem da Rádio Brasil. 

Além disso, de acordo com cruzamento de dados feito pela reportagem, além da ocupação total anunciada pela Prefeitura no último sábado, 23, a lotação de 100% das 86 UTIs universais foi alcançada outras três vezes na mesma semana.

No último sábado, dia 23, o prefeito Dário Saadi (Republicanos) anunciou que 100% das 90 UTIs-Covid do SUS Municipal foram ocupadas durante a madrugada, mas que três deles foram desocupados quatro horas depois.

Atualmente, dos 86 leitos de UTI universais no SUS Municipal exclusivos para pacientes com Covid-19, 50 estão na Rede Mário Gatti (40 no Hospital Ouro Verde e 10 no Hospital Mário Gatti). Outros dez estão na Casa de Saúde/Vera Cruz, 20 na Irmandade de Misericórdia/Irmãos Penteado e outros seis no Hospital da PUC-Campinas. 

Uso dos leitos UTI-Covid para gestante

Levantamento realizado pela Maternidade de Campinas aponta que de 18 até 25 de janeiro apenas um dos quatro leitos UTI-Covid contratados pela Prefeitura para gestantes estava ocupado por uma paciente internada desde o início do mês. 

Os dados de ocupação dos leitos UTI-Covid divulgados pela Maternidade de Campinas demonstram, no entanto, que novas internações não foram concretizadas nos dias 23, 24 e 25, o que indica que três das quatro UTIs-Covid da instituição foram reservadas na madrugada do dia 23, ficaram indisponíveis para novas internações, mas não foram efetivamente ocupadas.

A Maternidade informou, por meio de assessoria de imprensa, que quando uma enfermeira avalia que uma paciente pode evoluir para caso grave, um leito de UTI é reservado por até 24h, o que pode influenciar os dados de ocupação divulgados pela Prefeitura de Campinas.

Questionada, a Prefeitura de Campinas não informou se as três UTIs que já estavam disponíveis na manhã de sábado, 23, eram as exclusivas para gestantes, mas afirmou que além dos dados fixos, que levam em conta apenas os dados de ocupação de UTI-Covid do momento da divulgação, “o Devisa [Departamento de Vigilância em Saúde] trabalha, também, com os dados da Cross [Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde], que leva em consideração pacientes que aguardam transferência”.

As quatro UTIs-Covid-19 exclusivas para gestantes que estão na Maternidade de Campinas fazem parte de um convênio assinado entre a instituição e a Prefeitura em 02 de setembro de 2020. 

Transparência

Em 2020, a Prefeitura de Campinas, ainda sob o governo de Jonas Donizette (PSB) lançou o site covid-19.campinas.sp.gov para divulgar semanalmente os boletins epidemiológicos da Covid-19 na cidade.

Os boletins epidemiológicos divulgados em 2020, no entanto, não informavam que do total de leitos UTI-Covid para adultos, quatro eram reservados para grávidas. Tampouco indicavam quantos dos leitos que estavam desocupados eram universais ou exclusivos. Assim, a taxa total de ocupação e de UTIs livres divulgada pela Prefeitura de Campinas sempre englobou os leitos exclusivos para grávidas. 

Em janeiro de 2021, já na gestão Dario Saadi, durante os 26 primeiros dias do mês, a divulgação da taxa de ocupação de leitos UTI-Covid das diferentes administrações (SUS Municipal, SUS Estadual e rede privada) foi realizada pelo portal oficial da Prefeitura de Campinas sem indicação de quantas das UTIs livres eram exclusivas para gestantes e quantas eram universais.

Considerando apenas as internações em UTIs-Covid do SUS Municipal concretizadas, o cruzamento entre os dados de ocupação divulgados no Portal da Prefeitura com os dados informados pela Maternidade indicam que 100% das 86 UTIs universais do SUS Municipal que Campinas tinha até 28 de janeiro, supostamente, estiveram ocupadas nos dias 18, 22, 23 e 24 de janeiro, informação refutada pelo Devisa (Departamento de Vigilância Sanitária), mas que não pôde ser confirmada uma vez que os boletins epidemiológicos até 27/01/21 não informam quantos dos leitos disponíveis até então eram exclusivos para gestantes. 

O primeiro boletim epidemiológico diário de 2021 foi divulgado apenas em 27 de janeiro. Desta vez, diferentemente dos boletins semanais publicados em 2020, o número de leitos exclusivos é informado.

Na quarta-feira, 27, por meio de assessoria, a Prefeitura informou que os boletins epidemiológicos dos dias anteriores seriam divulgados em volume único no dia seguinte (28). Até o fechamento desta reportagem os boletins epidemiológicos dos primeiros 26 dias de 2021 não foram publicados. 

 

SUS Estadual

A Unicamp informou, por meio de assessoria, que as gestantes com Covid-19 são encaminhadas para o Caism (Hospital da Mulher) e que dos 17 leitos de UTI-Covid no HC da Unicamp, 16 estão ocupados.

Segundo a assessoria, a estrutura do Caism conta com seis leitos de UTI-Adultos, mas não há ala específica para as pacientes com Covid-19, que são atendidas conforme a demanda com custos arcados pelo próprio hospital.

Desde o início do ano, seis casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) foram notificados no Caism e um óbito por Covid-19 foi registrado.

 

Taxa de ocupação de leitos x Plano São Paulo

Em maio de 2020, o governo do Estado de São Paulo instituiu o SIMI (Sistema de Informações e Monitoramento Inteligente) para apoiar a formulação e avaliação das ações do Estado de São Paulo para enfrentamento da pandemia da COVID-19. O sistema é alimentado pelas informações enviadas diariamente pelas unidades de Saúde através do Censo Covid.

Em Campinas, apenas 3 unidades de saúde estão listadas e apresentam dados de ocupação dos leitos para pacientes com covid.

No momento da publicação desta reportagem a última atualização é do dia 28/01 às 18h15 e apresenta as seguintes informações:

Hospital de Clínica Unicamp: 13 pacientes em enfermaria e 13 em UTI

Complexo Hospitalar Prefeito Edivaldo Orsi – Hospital Geral (conhecido como Ouro Verde): 42 em enfermaria e 50 em UTI

Hospital Municipal Dr. Mário Gatti: 18 em enfermaria e 32 em UTI

Os dados do SUS Municipal disponíveis para consulta no SIMI não são separados por “leitos universais” e “leitos para gestantes”. 

No HC da Unicamp, apenas 13 dos 16 leitos UTI ocupados constam no SIMI. A justificativa, segundo a assessoria da Unicamp, é a rápida dinâmica da ocupação dos leitos, caracterizada pela gravidade e instabilidade dos pacientes internados. A Unicamp informa ainda que desde dezembro de 2020 a ocupação não fica em 80%, girando sempre em torno de 95% e 100%.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde e questionou se ao contabilizar os leitos UTI-Covid exclusivos para gestantes nos leitos totais a Secretaria de Saúde de Campinas interferiria na taxa total de ocupação utilizada pelo Governo Estadual para a classificação do Plano São Paulo na região de Campinas. A Secretaria Estadual de Saúde apenas informou, por meio de assessoria de imprensa, que a responsabilidade sobre a divulgação da ocupação de leitos para pacientes com Covid-19 é dos municípios.

Questionada, a Prefeitura de Campinas não se pronunciou sobre o assunto na nota enviada para esta reportagem.

Nota completa da Prefeitura de Campinas enviada para a reportagem em 27/01/2021:

“A taxa de ocupação de leitos é informada uma vez ao dia e reflete a situação naquele momento. O monitoramento é feito 24 horas por dia e inclui também dados da Cross e o controle dos leitos destinados a gestantes porque elas também são parte da população atingida pela doença. Tecnicamente as informações divulgadas estão corretas.

O Estado trabalha com um censo fixo, tomando em conta só o raio x do momento; já o Devisa trabalha, também, com os dados da Cross, que leva em consideração pacientes que aguardam transferência. 

Com relação aos boletins, este ano foi produzido uma edição, que será disponibilizada amanhã no site. “

 

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