Rádio Brasil Campinas | AM 1270

Por Celina Silveira

No Dia Mundial da Alimentação, mais de 30 mil pessoas vivem em situação de insegurança alimentar em Campinas

No dia mundial da alimentação comemorado nesta sexta-feira, 16, cerca de 33 mil campineiros vivem em situação de vulnerabilidade e insegurança alimentar, segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social. 

O departamento de segurança alimentar ligado à Secretaria usa as informações do Cadastro Único para monitorar quantas pessoas vivem em situação de vulnerabilidade na cidade. Desde março, o número de cadastrados passou de 23 mil para 26 mil, mas a Secretaria de Assistência estima que outras sete mil pessoas não estão no cadastro oficial.

Jéssica dos Santos, mora no Jardim Bassoli, com os dois filhos e está desempregada há dois anos. Desde o último mês, a renda mensal de Jéssica é de R$ 600, recursos dos programas Bolsa Família e o auxílio do governo federal para o enfrentamento da pandemia. Ela também é beneficiária do Cartão Nutrir e do programa Viva Leite da Secretaria de Assistência Social de Campinas.

Segundo Jéssica, os auxílios que recebe não garantem segurança alimentar para os dois filhos e com frequência ela precisa buscar doações:

“As minhas crianças comem: elas bebem o leite que é referente ao Viva Leite que eu recebo, no almoço às vezes é só arroz e feijão porque nós não temos dinheiro para comprar mistura, salada, isso e aquilo. Café da tarde, se tiver, é alguma besteira. Se não tiver é aquele leite do Viva Leite e a janta é a mesma coisa, se tiver mistura come com mistura, se não, come macarrão ou arroz com feijão puro. Então, assim, falar para você que a alimentação dos meus filhos é aquela regular, recomendada, não é. Eu não tenho dinheiro para comprar fruta, meus filhos não comem pão todos os dias”.

Atualmente, as pessoas que estão no Cadastro Único de Campinas podem ter acesso ao Banco de Alimentos de Campinas, o Cartão Nutrir e programas de transferência de renda como o Bolsa Família e o auxílio emergencial.

Segundo Secretária de Assistência Social e Segurança Alimentar de Campinas, Eliane Jocelaine, além de promover a distribuição de alimentos, outra preocupação da secretaria é educar a população para escolhas alimentares mais saudáveis.

“É um desafio para o Brasil e para o mundo de aquisição de alimentos ultraprocessados para uma aquisição de alimentos que venham direto da terra, alimentos mais saudáveis, e é esse o trabalho que a Secretaria vem realizando com oficinas, diálogos de educação alimentar com toda a população. E é importante frisar que quando as pessoas recebem o cartão nutrir há orientação para que as famílias passem a fazer escolhas mais saudáveis”

Para o Economista e professor da Unicamp, Walter Belik, Campinas tem equipamentos para garantir a segurança de uma alimentação saudável e equilibrada na cidade, como restaurantes populares, o Banco de Alimentos e o Ceasa, no entanto, com a pandemia as taxas de desemprego muitas pessoas não têm a alimentação garantida.

“É certo andando pelas ruas de Campinas que o número de sem-tetos, indigentes, pessoas desalentadas aumentou e essas pessoas que precisam de assistência, e não só essas pessoas que a gente vê. Existe uma fome oculta, uma fome invisível que se coloca nas casas das pessoas e o indivíduo não tem forças nem para sair para trabalhar”

Deixe o seu comentário

* campos obrigatórios.

O Terço