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Por Ericka Araújo

Não há evidências da eficácia do uso da cloroquina na prevenção ou tratamento da Covid-19, alerta pesquisador da Unicamp

Não há comprovação para a eficácia do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em casos de Covid-19. É o que afirma o estudo recente ‘Hidroxicloroquina ou cloroquina para tratamento de Covid-19: uma análise de registro multinacional’, publicado na revista científica The Lancet e analisado pelo professor do Instituto de Química da Unicamp, Luiz Carlos Dias.

Após analisar pesquisas recentes relativas à rotina de tratamento com cloroquina e hidroxicloroquina, o professor Dias destaca que os resultados de ensaios clínicos em seres humanos para Covid-19, em diferentes estágios da infecção, não são favoráveis.

“O grupo controle foi 9%, grupo de cloroquina foi de 16,5%, o grupo de cloroquina com antibiótico foi 22%, então você vê que é bem maior, o grupo de hidroxicloroquina foi 18% e o grupo de hidroxicloroquina com antibiótico foi 24% de letalidade. Estes dados mostram claramente que o tratamento com hidroxicloroquina, cloroquina ou combinados com antibióticos não levou a nenhum benefício, muito pelo contrário, levou ao aumento do número de mortes”.

O docente, que atua no desenvolvimento de fármacos para doenças negligenciadas, entre elas a malária, esclarece sobre o uso dos fármacos que estão sendo usados para o tratamento da Covid-19.

“A cloroquina foi desenvolvida para a malária, a hidroxicloroquina foi desenvolvida para tratar malária inicialmente, mas ela é menos potente, embora ela seja um pouco mais segura e ela é utilizada para tratar artrites reumatoides e lupos. A azitromicina é um antibiótico, usada nestes tratamentos para tratar as infecções, principalmente as infecções pulmonares e, eventualmente para impedir que bactérias oportunistas se aproveitem deste quadro inflamatório e possam causar maiores problemas”.

Ele ainda alerta sobre as consequências do uso inadequado destes medicamentos. “Os efeitos mais diversos, que tanto a cloroquina como a hidroxicloroquina tem são vários. Podem causar até cegueira, dependendo da dose. Elas causam arritmias cardíacas. A azitromicina faz a mesma coisa. Então, esses medicamentos só podem ser utilizados em um ambiente hospitalar, com controle rígido e por uma equipe médica”.

Na última quarta-feira (20), foi publicado, pelo Ministério da Saúde, um protocolo com recomendando a ampliação da utilização da cloroquina para casos leves da Covid-19 no Brasil. Na recomendação do Ministério da Saúde, determinada pelo presidente Jair Bolsonaro, indica-se que o medicamento seja administrado junto à azitromicina, um antibiótico.

A publicação do Governo Federal foi feita um dia após as Diretrizes para o Tratamento Farmacológico da Covid-19 ser divulgada por Sociedades Médicas. Na publicação, assinada em conjunto pela Associação Brasileira de Medicina Intensiva, a Sociedade Brasileira de Infectologias e a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, os médicos pontuam o nível baixo, ou, muito baixo de evidências na rotina no tratamento da doença com a cloroquina ou hidroxicloroquina e, recomendam que não sejam utilizadas, nem sozinhas, nem combinadas à azitromicina.

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