Rádio Brasil Campinas | AM 1270

Por Thais Laurentis

No ano de 2020 mais de 50 mil mulheres foram vítimas de violência no Estado de São Paulo

Os casos de violência contra a mulher aumentaram em 2020 durante a pandemia no Estado de São Paulo. Em entrevista para a Rádio Brasil Campinas, a advogada Daniela Oliveira, especialista em direito antidiscriminatório, família, cível e criminal, fala sobre o aumento da violência na pandemia.

 

“É, uma das coisas que ocorreu principalmente com relação ao ano passado, que nós estamos vivendo essa pandemia, é que a pandemia trouxe tudo que há de pior na sociedade, inclusive, a nossa questão de desigualdade, de violência de gênero, então uma das providências da Polícia Civil do Estado de São Paulo foi a implementação da denúncia de violência doméstica via delegacia eletrônica, ou seja, pela internet, e isso foi um grande boom, porque as mulheres, chegaram a ter cerca de 62 boletins de ocorrência registrados por dia. O que é um número bem alarmante, nós já temos números altos de violência doméstica,  mas é um número bem alarmante principalmente por estar sendo registrado pela internet…”, diz Daniele Oliveira. 

 

A advogada ainda afirma que existem tipos de violência que entram na Lei Maria da Penha e como que faz para identificar esses diferentes tipos de violência do agressor.

 

“A lei maria da penha ela tipifica, 5 tipos de violência, a física, psicológica,  moral, sexual e a patrimonial, as vezes quando a violência física não acontece, muitas mulheres ainda não entendem que por mais que não estejam em situação de violência física elas ainda sofrem uma violência. Os indícios de que está em relacionamento que não é, que às vezes a pessoa não enxerga, que não é a forma como deveria ser, por exemplo: olha você não pode usar tal roupa, você não pode se maquiar de tal forma, poxa mas oque que você vai fazer com seu dinheiro esse mês, então é identificar esse tipo de situação e levar sim pras pessoas com quem se mantém relações de confiança, família, amigos, não se afastar de ninguém, não ter vergonha de falar sobre, é um ponto muito positivo, e que ajuda nessa questão do acolhimento…”, diz Daniela Oliveira. 

 

Daniela ainda relembra que todas as mulheres têm o direito de se proteger através da defensoria pública.

 

“Muitas dessas mulheres têm filhos, vivem em situação de muita vulnerabilidade econômica, onde é difícil de se afastar do lar o que também é um reflexo trazido pela pandemia, então tentar sair desse relacionamento mesmo de forma formal com a separação, com a dissolução de união estável, com a regulamentação de guarda, visitas e alimentos, é um apoio que a defensoria pública também presta, para essas mulheres que não tem condições de pagar um advogados, importante é ressaltar que toda mulher tem direito a proteção, independente de ter ou não condições econômicas para isso…’, diz Daniela Oliveira.

 

Lembrando que os canais de denúncia para violência contra mulheres são os telefones 180 ou 190 e até mesmo pela delegacia eletrônica.

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