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A importância da música em todas as fases da vida – Dr. Gustavo Gattino – Doutor em Saúde da Criança e do Adolescente

A importância da música em todas as fases da vida – Dr. Gustavo Gattino  – Doutor em Saúde da Criança e do Adolescente

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Do primeiro colo às últimas lembranças: por que a música acompanha o cérebro durante toda a vida

Novas pesquisas reforçam que o cérebro responde à música desde os primeiros meses de vida, revelando seus impactos na aprendizagem, na memória, nas emoções e na qualidade de vida.

 

Ela embala o bebê antes mesmo das primeiras palavras, ajuda crianças a aprender, acompanha adolescentes na construção da identidade, reduz o estresse da vida adulta e, muitas vezes, desperta lembranças que pareciam perdidas em pessoas com demência. A música está presente em praticamente todas as fases da vida — e a ciência mostra que isso está longe de ser uma coincidência.

 

Segundo o pesquisador Dr. Gustavo Gattino, doutor em Saúde da Criança e do Adolescente pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professor associado da Universidade de Aalborg, na Dinamarca, o cérebro humano mantém uma relação profunda com a música desde os primeiros meses de vida.

"A música não é apenas entretenimento. Ela mobiliza diferentes redes cerebrais ao mesmo tempo, envolvendo emoção, memória, atenção, linguagem, movimento e interação social. Poucas experiências conseguem ativar tantas áreas do cérebro simultaneamente."

 

Uma das descobertas mais recentes reforça essa conexão.

Um estudo internacional publicado neste ano demonstrou que bebês de apenas três meses já apresentam respostas cerebrais específicas aos padrões musicais, muito antes de conseguirem acompanhar o ritmo com movimentos do corpo.

A pesquisa sugere que o cérebro humano começa a organizar essas informações musicais logo nos primeiros meses de vida.

Para Gustavo, esse achado ajuda a explicar por que a música ocupa um papel tão importante desde o início da existência.

"Antes mesmo da linguagem, existe ritmo, voz, melodia e contato. A música é uma das primeiras formas de comunicação entre pais e filhos e contribui para a construção dos vínculos afetivos que sustentam o desenvolvimento infantil."

 

Ao longo da infância, ela continua exercendo um papel importante na atenção, na memória, na aprendizagem e na regulação emocional.

O pesquisador ressalta que a música não deve ser vista como uma solução milagrosa, mas como uma ferramenta baseada em evidências que pode favorecer o desenvolvimento quando inserida de forma adequada.

"A ciência não mostra que a música faz milagres. O que ela demonstra é que experiências musicais bem planejadas podem contribuir para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das pessoas."

 

Na adolescência e na vida adulta, a música ganha novos significados. Torna-se uma forma de expressão, ajuda a lidar com momentos de estresse e pode favorecer o equilíbrio emocional em uma rotina cada vez mais acelerada.

"Cada pessoa constrói uma história musical. Certas músicas passam a fazer parte da nossa identidade e carregam emoções e experiências que permanecem conosco por toda a vida."

Essa ligação entre música e memória torna-se ainda mais evidente durante o envelhecimento.

Mesmo em pessoas que vivem com doenças neurodegenerativas, como algumas formas de demência, canções conhecidas frequentemente conseguem despertar memórias autobiográficas e promover momentos de conexão com familiares.

"A memória musical costuma permanecer preservada por mais tempo do que outras funções cognitivas. Muitas vezes, uma canção consegue abrir caminhos para lembranças e emoções que pareciam inacessíveis."

Para Gustavo, a ciência vem ampliando o entendimento sobre o verdadeiro papel da música na saúde humana.

"Cada vez mais as pesquisas mostram que a música não é um luxo nem apenas uma forma de entretenimento. Ela faz parte do desenvolvimento humano desde muito cedo e continua sendo uma aliada para promover vínculos, saúde mental e qualidade de vida ao longo de toda a vida.”

 

Sobre o especialista

Dr. Gustavo Gattino é doutor em Saúde da Criança e do Adolescente pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professor associado da Universidade de Aalborg, na Dinamarca, e pesquisador com atuação internacional. Há mais de 20 anos desenvolve pesquisas sobre cérebro, saúde mental, neurodesenvolvimento e qualidade de vida, investigando como diferentes experiências, especialmente a música, influenciam a cognição, a memória, a aprendizagem, a regulação emocional e o bem-estar ao longo da vida. É autor de 10 livros, dezenas de artigos científicos publicados em periódicos internacionais e participa de projetos de pesquisa e congressos em diversos países, contribuindo para o avanço de intervenções baseadas em evidências voltadas à promoção da saúde.

CG
Escrito por Camilla Godoy

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