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23 de março de 2026

Câncer de Ovário e Carcinomatose Peritoneal – Dr. Arnaldo Urbano Ruiz

Coordenador do Centro de Doenças Peritoneais do Hospital A Beneficência Portuguesa de São Paulo e diretor do Centro de Carcinomatose Peritoneal

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Câncer de Ovário e Carcinomatose Peritoneal

O câncer de ovário é um tumor ginecológico de difícil diagnóstico. Por este motivo, apresenta reduzidas taxas de cura, especialmente quando descoberto em estágio avançado. Os mais recentes dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam para mais de 7 mil novos casos ao ano da doença e quase 4 mil óbitos.
Entre os fatores de risco, estão a idade avançada, a infertilidade, o histórico familiar, fatores genéticos e a obesidade. Em fase inicial, os tumores no ovário não causam sintomas específicos, mas quando mais desenvolvidos, provocam dores e inchaços nas regiões do abdômen, da pelve, costas e pernas, náuseas, problemas intestinais, perdas de peso e de apetite e cansaço. O diagnóstico precoce pode ser decisivo para obter melhores resultados no tratamento.
Uma vez confirmado o diagnóstico, diversas opções de tratamento poderão ser indicadas, conforme o estágio da doença e as condições clínicas da paciente.
Quando detectado no início, geralmente a cirurgia é menos agressiva e com mais chances de cura. A qualidade da cirurgia e da quimioterapia são grandes diferenciais no tratamento do câncer de ovário, explica o Dr. Arnaldo Urbano Ruiz, cirurgião geral e oncológico, coordenador do Centro de Doenças Peritoneais do Hospital A Beneficência Portuguesa de São Paulo e diretor do Centro de Carcinomatose Peritoneal.

Câncer de Ovário e Carcinomatose Peritoneal
A carcinomatose peritoneal é a disseminação de um câncer pela cavidade abdominal. A doença sai de seu órgão de origem e se espalha pelo peritônio, membrana de revestimento interno do abdome. Uma das principais origens da carcinomatose peritoneal é o câncer de ovário. ​
Antigamente não havia qualquer expectativa de cura para o paciente com carcinomatose peritoneal, que levava à morte em decorrência de complicações, como a obstrução intestinal.
​​Hoje em dia, com as técnicas existentes, profissionais em constante capacitação e hospitais de referência para o tratamento da carcinomatose, o prognóstico pode ser diferente.
Tratamento de alta complexidade
​Um dos principais avanços nesta área foi a cirurgia citorredutora e a técnica de quimioterapia quente no abdome no intraoperatório, chamada quimioterapia intraperitoneal hipertérmica (HIPEC), alguns pacientes chegam à cura da carcinomatose. Outros, podem ser beneficiados com sobrevidas muito mais longas.
​A técnica, desenvolvida pelo cirurgião norte-americano Dr. Paul H. Sugarbaker, consiste na ressecção do peritônio doente e dos demais órgãos que possam estar acometidos.
​A carcinomatose peritoneal originária de câncer de ovário, em geral, responde muito bem a este tratamento. No entanto, por ser extremamente agressiva, comparada a transplantes de órgãos, a cirurgia para a carcinomatose pode levar muitas horas e só deve ser realizada em centros com experiência neste procedimento, em hospitais referenciados, com equipe multidisciplinar especialmente treinada para estas situações.
Além de UTI e centro cirúrgico devidamente equipados, são necessários, na equipe, cirurgiões, cardiologistas, clínicos, instrumentadores, anestesiologistas, fisioterapeutas e fonoaudiólogos preparados e habilitados para cuidar destes pacientes.
Prevenção
Para prevenir e detectar o câncer de ovário o mais precocemente possível, algumas medidas podem devem ser adotadas. É importante fazer um acompanhamento regular com o médico ginecologista e manter os exames periódicos em dia.
Alguns hábitos também devem ser incorporados à rotina como forma de prevenção, como a prática de atividades físicas e manter uma alimentação balanceada.

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