Da Redação, Campinas, SP.
14/10/2026 * 19H08
O processo de estruturação para o retorno dos desfiles oficiais das escolas de samba de Campinas alcança uma fase decisiva neste domingo, 18 de outubro. A partir das 15h, a Sala dos Toninhos, na Estação Cultura, sedia o Concurso do Samba-Enredo, competição pública que vai escolher a trilha sonora oficial para o desfile previsto para o dia 3 de abril de 2027, na Avenida Francisco Glicério.
Quatro agremiações da cidade participam da disputa: Leões da Vila Padre Anchieta, Rosa de Prata, Unidos do Shangai e Estrela D’Alva. O samba selecionado abordará a temática "Campinas e Seus Carnavais – A História que o Samba Nunca Deixou Acabar", enredo focado em resgatar as origens da folia campineira, desde o Samba de Bumbo, os cordões e os ranchos até a consolidação das escolas de samba locais.
O evento é aberto à população e faz parte da programação do 2º Festival de Cultura Popular e Tradicional de Campinas, que reúne dezenas de atrações culturais gratuitas ao longo do fim de semana.
Tradição mantida nas comunidades durante hiato oficial
Os desfiles oficiais na Avenida Francisco Glicério não são realizados desde 2015. Apesar da interrupção do calendário público no ano seguinte, o movimento do samba no município seguiu ativo por meio de ensaios internos, rodas de conversa, projetos comunitários e atuação de blocos independentes espalhados pelos bairros.
Para as entidades envolvidas, a realização do concurso marca a consolidação desse trabalho coletivo. O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba de Campinas (LIESCA), Edson Jóia, destaca que a atividade simboliza o fortalecimento da cultura popular e a preservação da memória da cidade.
Dirigentes das quatro escolas também ressaltam a relevância da data. A presidenta da Leões da Vila Padre Anchieta, Elizeth Campagnuci da Silva Moscardin, e o presidente da Estrela D’Alva, Michel Henrique, pontuam que o concurso representa a concretização de anos de articulação para devolver as agremiações à avenida. Os presidentes Messias, da Unidos do Shangai, e Rafael Rosa, da Rosa de Prata, salientam o preparo das comunidades e a expectativa de apresentar um espetáculo estruturado ao público.
A secretária municipal de Cultura e Turismo, Alexandra Caprioli, enfatiza que o concurso integra as ações de valorização das expressões culturais tradicionais de Campinas.
Regras de pontuação e cronograma de apresentações
Cada escola terá 30 minutos na Sala dos Toninhos para defender sua obra ao vivo, acompanhada por bateria, intérprete, casal de mestre-sala e porta-bandeira, passistas e torcida. A ordem das apresentações, definida em sorteio prévio, é a seguinte:
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16h: Unidos do Shangai
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16h30: Leões da Vila Padre Anchieta
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17h: Estrela D’Alva
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17h30: Rosa de Prata
A banca examinadora será composta por oito jurados divididos em três grupos de avaliação:
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Avaliação Técnica (4 jurados): Max Mendes Fischer, Ilcéi Mirian, Edson Jóia e Everson Belatto julgam melodia, letra e adaptação ao enredo.
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Avaliação Cultural e Narrativa (2 jurados): Israel Julio Moreira e Heitor Freddo analisam o conteúdo poético, a narrativa e a identidade carnavalesca.
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Percepção Popular e Cultural (2 jurados): Alexandra Caprioli e Rubens Gás avaliam a empolgação, a resposta do público e a assimilação da letra.
Cada julgador pode atribuir até 10 pontos, totalizando um teto de 80 pontos por agremiação. As notas serão depositadas em urnas logo após o término de cada apresentação. Em caso de empate, o regulamento estabelece o desempate sucessivo pelas maiores pontuações no júri técnico, no júri cultural, nas notas de letra, de melodia, de percepção popular e, por fim, pela aclamação do público presente.
Após a divulgação do resultado, o Grupo Casa Caiada se apresenta ao lado da agremiação vencedora para encerrar a programação musical do evento.
Programação do 2º Festival de Cultura Popular na Estação Cultura
O Concurso do Samba-Enredo integra o 2º Festival de Cultura Popular e Tradicional de Campinas, realizado nos dias 17 e 18 de outubro com mais de 30 atividades gratuitas. O festival reúne cortejos, apresentações artísticas, Folia de Reis e vivências de matriz afro-brasileira e indígena.
O espaço conta também com duas feiras temáticas: a ỌJÀ OBÌNRIN (Feira de Mulheres Pretas), voltada a empreendedoras e artistas negras, e a NHANERAMÕIGUERE (Feira Indígena), em parceria com a Rede EtnoCidade, dedicada à difusão de artefatos e culinária dos povos originários.