Primeira Copa da era da inteligência artificial pode redefinir a estratégia de pequenas empresas em Campinas, Paulínia e Americana
A Copa do Mundo de 2026 deve injetar R$ 4,32 bilhões no comércio brasileiro, um crescimento de 6,5% em relação ao Mundial de 2022. O número, divulgado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), mostra que o brasileiro continua consumindo durante o torneio. O problema é que ele faz isso de maneira diferente.
Enquanto supermercados, bares e serviços de alimentação tendem a registrar crescimento, outros setores podem sofrer retração nos dias de jogos. Estudos do mercado apontam que o varejo pode registrar queda de até 12% nas vendas e redução de até 40% no fluxo em centros comerciais durante partidas da Seleção Brasileira.
O fenômeno preocupa especialmente uma das regiões mais empreendedoras do Estado. Entre abril de 2024 e março de 2025, a RMC (Região Metropolitana de Campinas) registrou a abertura de 67.873 empresas e mais de 131 mil novos MEIs, ficando atrás apenas da capital paulista em geração de novos negócios.
Segundo Alessandra Quaglio, consultora de marketing e educadora em inteligência artificial, a queda nas vendas não está necessariamente ligada à falta de dinheiro, mas à mudança na jornada de compra.
"O consumidor não desaparece durante a Copa. Ele apenas muda seus hábitos. Passa mais tempo conectado, altera horários, acompanha as partidas pelo celular e continua comprando. Quem insiste em vender da mesma forma pode acabar ficando invisível", alerta.
O CELULAR VIROU A NOVA VITRINE
A transformação no comportamento dos consumidores é evidente. Levantamento da Data-Makers, realizado com mil brasileiros, mostra que 87% utilizam o smartphone para acompanhar conteúdos esportivos, índice superior ao da televisão. Dois em cada três torcedores usam o celular simultaneamente às transmissões e 59% consomem conteúdos esportivos diariamente ou várias vezes por semana.
Para a especialista, a atenção do consumidor migrou da loja para a palma da mão. "A Copa deixou de ser apenas um evento esportivo. Ela se tornou um fenômeno de comportamento digital. O cliente está no Instagram, no WhatsApp e nas plataformas online enquanto assiste aos jogos. As empresas precisam estar lá também."
PRIMEIRA COPA DA ERA DA IA
Se em 2022 poucas empresas utilizavam inteligência artificial no dia a dia, em 2026 o cenário é diferente.
Ferramentas de IA passaram a permitir que pequenos negócios produzam campanhas promocionais, criem anúncios, desenvolvam conteúdo para redes sociais e personalizem ofertas em poucos minutos, capacidade que antes estava restrita às grandes marcas.
"Esta é a primeira Copa em que pequenas empresas conseguem reagir em tempo real. Uma loja de Americana, um restaurante em Paulínia ou uma clínica em Campinas podem criar ações em minutos e competir pela atenção do consumidor sem precisar de grandes investimentos", destaca Alessandra.
SETORES QUE MAIS PODEM SENTIR OS EFEITOS
Especialistas apontam que os impactos costumam ser maiores em:
- comércio de rua;
- lojas de moda e vestuário;
- academias;
- clínicas e consultórios;
- escolas e cursos;
- empresas prestadoras de serviços.
Por outro lado, alimentação, delivery, entretenimento e supermercados tendem a ser favorecidos pelo aumento do consumo imediato. Quase 70% do faturamento previsto para a Copa deverá se concentrar em hipermercados e supermercados, com movimentação estimada em R$ 3,97 bilhões.
O MAIOR ERRO DOS EMPRESÁRIOS
Alessandra acredita que muitos empreendedores ainda tratam a Copa como um período de "baixa", quando na verdade ocorre uma mudança temporária de comportamento. "O consumidor não compra menos. Ele compra diferente. E esta pode ser a primeira vez em que a inteligência artificial permitirá que pequenos negócios da região de Campinas tenham a mesma velocidade de reação das grandes empresas", frisa a especialista.