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Doença falciforme vai além do sangue: feridas nas pernas, dor e AVC podem estar ligados à circulação – Dr. Márcio Steinbruch

Doença falciforme vai além do sangue: feridas nas pernas, dor e AVC podem estar ligados à circulação – Dr. Márcio Steinbruch

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A doença falciforme é uma condição genética que afeta o sangue, mas que também pode ter impactos importantes sobre a circulação. A doença altera o formato das hemácias, que ficam mais rígidas e podem dificultar a passagem do sangue pelos vasos, favorecendo episódios de dor, inflamação, redução da oxigenação dos tecidos e complicações em diferentes órgãos.

Entre os problemas associados à doença falciforme estão crises dolorosas, infecções, infartos pulmonares, acidente vascular cerebral, inflamações e úlceras, especialmente nas pernas. Embora o acompanhamento principal seja feito por equipes de hematologia, a avaliação vascular pode ser importante quando há alterações circulatórias, feridas de difícil cicatrização, dor persistente, inchaço ou sinais de comprometimento da irrigação dos tecidos.

De acordo com o Dr. Márcio Steinbruch, especialista em cirurgia vascular formado pelo Hospital das Clínicas da FMUSP e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, a doença falciforme precisa ser compreendida como uma condição sistêmica. “A doença falciforme não afeta apenas o sangue de forma isolada. Ela pode comprometer a circulação em pequenos vasos, dificultar a oxigenação dos tecidos e contribuir para crises dolorosas e complicações vasculares, como úlceras nas pernas e outros quadros que exigem acompanhamento cuidadoso”, explica.

Segundo o especialista, as úlceras em pacientes com doença falciforme merecem atenção especial porque podem ser recorrentes, dolorosas e de cicatrização lenta. Nesses casos, é importante investigar fatores que prejudicam a circulação e definir uma abordagem individualizada, sempre em conjunto com a equipe que acompanha a doença de base.

“Feridas nas pernas que demoram para cicatrizar nunca devem ser banalizadas. Em pacientes com doença falciforme, elas podem estar relacionadas à circulação, à inflamação crônica e à menor oxigenação dos tecidos. Quanto mais cedo o problema é avaliado, maiores são as chances de reduzir complicações”, alerta Steinbruch.

O médico reforça que sinais como dor intensa, piora do inchaço, mudança de cor na pele, feridas persistentes, secreção, febre ou piora do estado geral devem motivar avaliação médica. Além disso, manter o acompanhamento regular, seguir corretamente o tratamento prescrito, evitar desidratação e reconhecer sinais de agravamento são medidas importantes para reduzir riscos.

“A doença falciforme exige cuidado contínuo e multidisciplinar. O papel do especialista vascular é contribuir na avaliação de complicações circulatórias, especialmente quando há úlceras, dor nas pernas ou suspeita de comprometimento vascular. Informação e diagnóstico precoce fazem diferença na qualidade de vida desses pacientes”, conclui.

 

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