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El Niño no radar: como o clima extremo exige uma nova rotina de cuidados com a pele – Dra. Telma Giordani

El Niño no radar: como o clima extremo exige uma nova rotina de cuidados com a pele  – Dra. Telma Giordani

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A possibilidade de um novo episódio de El Niño no segundo semestre de 2026 reacendeu o alerta para a intensificação de ondas de calor, períodos prolongados de seca, baixa umidade do ar e outros eventos climáticos extremos em diferentes regiões do Brasil. Enquanto grande parte das discussões se concentra nos impactos ambientais e econômicos, um efeito menos visível começa a chamar a atenção dos profissionais de saúde: a influência das mudanças climáticas sobre a pele.

Nos últimos anos, oscilações bruscas de temperatura, aumento da radiação ultravioleta, poluição, fumaça das queimadas e variações na umidade do ar passaram a fazer parte da rotina dos brasileiros. Esse novo cenário ambiental interfere diretamente na barreira de proteção da pele, favorecendo o ressecamento, a sensibilidade, o surgimento de manchas e o agravamento de doenças como rosácea, dermatite e acne.
A mudança no comportamento do clima também começa a aparecer nos consultórios. Cresce o número de pessoas que procuram atendimento por causa do ressecamento intenso, piora da rosácea, crises de dermatite, acne, sensibilidade e manchas. Embora esses problemas possam ter diferentes causas, as condições climáticas extremas passaram a ser um fator importante para o agravamento de doenças de pele e para o envelhecimento precoce.
"A pele é o maior órgão do corpo humano e funciona como uma barreira de proteção. Quando ela é exposta continuamente ao calor excessivo, ao frio intenso, à baixa umidade ou aos poluentes, essa barreira perde eficiência, favorecendo inflamações, desidratação e maior sensibilidade", explica a médica Telma Giordani, especialista em saúde da pele e medicina estética.
Segundo a especialista, um dos erros mais comuns é manter a mesma rotina de cuidados durante todo o ano.
"Muitas pessoas escolhem os produtos de skincare uma única vez e seguem utilizando-os independentemente das mudanças do clima. Assim como adaptamos nossas roupas às estações, a pele também precisa de ajustes na rotina de cuidados conforme as condições ambientais", afirma.
A boa notícia, segundo a médica, é que hoje existe uma ampla oferta de dermocosméticos seguros, eficazes e acessíveis nas farmácias, o que permite que grande parte da população adote uma rotina básica de cuidados sem grandes investimentos. No entanto, ela ressalta que a orientação profissional continua sendo indispensável, principalmente quando surgem alterações persistentes na pele ou quando é necessário indicar tratamentos específicos.
"Não é preciso recorrer aos produtos mais caros para cuidar bem da pele. Hoje encontramos excelentes opções nas farmácias, com respaldo científico e preços acessíveis. Mas isso não substitui a avaliação individual. Cada pele tem necessidades próprias e, quando surgem manchas, acne, rosácea ou outras alterações, a consulta médica é fundamental para indicar o tratamento mais adequado e evitar o uso de produtos que podem piorar o quadro."
Barreira cutânea: por que ela merece atenção
De acordo com a médica Telma Giordani, um dos primeiros efeitos das mudanças climáticas é o enfraquecimento da chamada barreira cutânea, estrutura responsável por proteger a pele contra agressões externas e evitar a perda excessiva de água.
"Quando essa barreira está íntegra, a pele consegue manter melhor sua hidratação e se defender das agressões do ambiente. Mas calor intenso, frio, baixa umidade, vento, poluição e até hábitos do dia a dia podem comprometer essa proteção natural, deixando a pele mais sensível e vulnerável", explica.
Segundo a especialista, alguns sinais indicam que essa barreira pode estar fragilizada, como ressecamento persistente, descamação, sensação de repuxamento, vermelhidão, coceira e perda do viço natural.
"Não é apenas uma questão estética. Quando a barreira cutânea perde sua capacidade de proteção, a pele fica mais suscetível a irritações e ao agravamento de condições como dermatite, rosácea e acne. Por isso, preservar essa estrutura é um dos pilares para manter a pele saudável."
Para fortalecer essa proteção, a médica orienta priorizar hidratantes com ativos capazes de ajudar na reposição da hidratação e dos lipídios naturais da pele, como ceramidas, ácido hialurônico, glicerina, pantenol e niacinamida. Outra recomendação é aplicar o hidratante logo após o banho, quando a pele ainda está levemente úmida, favorecendo a retenção de água.

Quando o ambiente muda, a pele também responde
Outro ponto de atenção é a falsa sensação de proteção durante os dias frios ou nublados.
A radiação ultravioleta continua presente e, somada à poluição e ao estresse oxidativo provocado pelo ambiente, acelera a degradação do colágeno e favorece o aparecimento de manchas e linhas de expressão.
"O protetor solar continua sendo indispensável em qualquer estação. Além disso, em períodos de baixa umidade, é fundamental reforçar a hidratação da pele, utilizar produtos que preservem a barreira cutânea e evitar banhos muito quentes, que removem a camada natural de proteção", orienta a médica.
As queimadas também merecem atenção. As partículas de fumaça presentes no ar aumentam a produção de radicais livres, favorecem processos inflamatórios e podem agravar doenças como dermatite atópica, rosácea e acne.
Para a médica Telma Giordani, a saúde da pele passou a exigir um olhar mais amplo do que há alguns anos.
"As mudanças climáticas nos mostram que o cuidado com a pele não pode ser estático. Hoje, precisamos olhar para além do tipo de pele e considerar fatores como o ambiente, a poluição, a umidade do ar, a exposição solar e os hábitos de vida. O cuidado personalizado nunca foi tão importante."
A especialista destaca que pequenas mudanças de hábito podem fazer diferença na saúde da pele ao longo dos anos.
Reforçar a hidratação, cuidar da alimentação, fazer atividade física, adaptar os produtos às condições climáticas, manter o uso diário do protetor solar e procurar orientação médica diante de alterações persistentes são medidas que ajudam a preservar não apenas a aparência, mas também a função protetora da pele.

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