Da Redação, Campinas, SP.
30/10/2026 * 16H52
O governo de Cuba considera real o risco de uma invasão militar dos Estados Unidos e afirma que o país está preparado para reagir, segundo o embaixador cubano no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo. Em entrevista à Agência Brasil, o diplomata pediu que a comunidade internacional se posicione contra uma eventual ofensiva à ilha.
“O povo cubano se prepara hoje para uma invasão real dos EUA. O governo e o povo cubanos não podem ignorar as pretensões dos EUA de uma invasão a Cuba. Isso é real”, afirmou.
A declaração expressa a avaliação de Havana. O material da entrevista não apresenta confirmação de uma decisão dos Estados Unidos de invadir o país.
O embaixador também dirigiu um apelo à imprensa e aos demais países. “Não é possível normalizar uma agressão militar contra Cuba.”
Embaixador afirma que população defenderá soberania
Cairo Palomo afirmou que “a maioria do povo cubano” defende a soberania nacional e resistiria a uma intervenção estrangeira.
“Cuba tem história, tem tradição de luta. Cuba tem tradição de preparação da população para essa luta, que é uma questão que não pode ser ignorada pelos EUA”, declarou.
A manifestação ocorre em meio ao aumento da pressão de Washington sobre o governo do presidente Miguel Díaz-Canel desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025.
Segundo o relato da Agência Brasil, as medidas incluem sanções e ameaças a países que vendem petróleo à ilha. A reportagem informa que Cuba chegou a passar três meses sem receber carregamentos do produto.
Trump fez declarações sobre possível ação contra Cuba
Em março de 2026, Trump afirmou que teria a “honra de tomar Cuba”. Em outubro, declarou que os Estados Unidos iriam “cuidar de Cuba” depois de lidarem com o Irã, conforme o material da Agência Brasil.
Em outra manifestação, o presidente norte-americano mencionou a possibilidade de negociação com Havana e disse não considerar necessário recorrer a uma ação militar.
“Não acho que precisaremos das forças armadas”, afirmou Trump ao defender a possibilidade de chegar a um acordo com o país caribenho.
Washington acusa Havana de ameaça à segurança
Em janeiro deste ano, a Casa Branca classificou Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” aos Estados Unidos. O governo norte-americano acusou a ilha de abrigar adversários interessados em obter informações sensíveis de segurança nacional.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também defendeu medidas para promover uma mudança no país.
“Faremos o possível para tomar medidas que iniciem esse processo de mudança [em Cuba]. E será um processo que não será fácil”, declarou em entrevista coletiva em setembro, segundo o material fornecido.
A reportagem da Agência Brasil também relata redução de voos internacionais e saída de empresas hoteleiras estrangeiras e da Visa de Cuba, com efeitos sobre o turismo. O texto associa esse cenário à intensificação das restrições econômicas impostas à ilha.
*Com informações da Agência Brasil.