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27 de março de 2026

Envelhecimento saudável exige atenção à coluna e ao impacto emocional da dor crônica – Dr. André Evaristo Marcondes

ortopedista especialista em coluna

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ao impacto emocional da dor crônica
Especialista alerta que a discussão sobre saúde da coluna precisa integrar o debate mais amplo sobre qualidade de vida

São Paulo, fevereiro de 2026 – O Brasil envelhece em ritmo acelerado. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que a população com 60 anos ou mais já ultrapassa 15% dos brasileiros e deve continuar crescendo nas próximas décadas. O aumento da expectativa de vida é uma conquista social, mas traz consigo um desafio importante: garantir qualidade de vida e autonomia na terceira idade.

Entre os fatores que mais comprometem esse processo está a dor na coluna. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a dor lombar figura entre as principais causas de incapacidade no mundo. Em idosos, ela costuma estar relacionada ao desgaste natural das articulações, hérnias de disco, estenose do canal vertebral e fraturas decorrentes da osteoporose.

Para o ortopedista especialista em coluna Dr. André Evaristo Marcondes, o impacto vai muito além da limitação física. “A dor crônica altera a rotina, compromete a independência e afeta diretamente o estado emocional do paciente. Não estamos falando apenas de desconforto, mas de perda de autonomia”, afirma.

Na prática clínica, o médico observa que muitos pacientes reduzem ou abandonam atividades que antes faziam parte da rotina, como caminhar, dirigir, frequentar encontros sociais ou brincar com os netos. “É comum ouvir que a pessoa deixou de sair de casa ou que evita atividades por medo da dor. Esse isolamento progressivo pode gerar tristeza, ansiedade e até quadros depressivos”, explica.

Estudos desenvolvidos por instituições como a Fundação Oswaldo Cruz apontam que a dor crônica está associada à pior percepção de qualidade de vida e maior risco de sofrimento emocional, especialmente entre idosos. A combinação entre limitação física e sensação de dependência costuma impactar diretamente a autoestima.

O especialista ressalta que envelhecer não significa conviver obrigatoriamente com dor incapacitante. “Nem toda dor é consequência inevitável da idade. Muitas condições têm tratamento eficaz, principalmente quando diagnosticadas precocemente”, afirma. Abordagens conservadoras, como fisioterapia direcionada, fortalecimento muscular, controle de peso e tratamento da osteoporose, costumam apresentar bons resultados. Em situações específicas, procedimentos minimamente invasivos ou cirurgias podem devolver mobilidade e qualidade de vida.

Para o Dr. André, falar em envelhecimento saudável implica considerar funcionalidade e saúde emocional como partes indissociáveis do cuidado médico. “Quando preservamos a mobilidade, preservamos também a autoestima e a participação social. Cuidar da coluna é garantir independência. E independência tem impacto direto no bem-estar psicológico”, conclui.

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