Excesso de telas faz crescer a queixa de olhos cansados no fim do dia – Dra. Alléxya Affonso

Excesso de telas faz crescer a queixa de olhos cansados no fim do dia – Dra. Alléxya Affonso

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 Chegar ao fim do expediente com os olhos pesados, irritados ou com a sensação de que a visão está "falhando" tornou-se uma queixa cada vez mais comum entre pessoas que passam horas em frente ao computador, celular ou tablet. Embora muitas vezes seja tratado como um desconforto passageiro, o cansaço visual não deve ser ignorado quando se torna frequente ou persistente.

A chamada fadiga ocular, também conhecida como astenopia, pode provocar sintomas como ardência, lacrimejamento, sensação de areia nos olhos, dificuldade para manter o foco, visão embaçada temporária e até dor de cabeça após longos períodos de concentração visual.

Segundo um estudo publicado nos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, aproximadamente 24,4% dos adultos avaliados apresentavam sintomas importantes ou diagnóstico clínico de doença do olho seco, uma das principais causas de desconforto ocular atualmente. A pesquisa também identificou maior frequência da condição entre mulheres.

"O cansaço nos olhos no fim do dia não deve ser encarado como algo normal apenas porque a rotina envolve muitas horas diante das telas. Embora o esforço visual prolongado realmente provoque fadiga, esse sintoma também pode ser um indicativo de alterações que precisam ser investigadas por um especialista", explica a oftalmologista Dra. Alléxya Affonso.

Durante o uso de computadores e celulares, a frequência das piscadas tende a diminuir, comprometendo a distribuição da lágrima sobre a superfície ocular. Como consequência, aumenta a evaporação da lágrima e surgem sintomas como ressecamento, irritação e desconforto visual. Além disso, manter o foco continuamente em uma distância próxima exige esforço constante da musculatura responsável pela acomodação da visão.

"Não é apenas a tela que causa desconforto. O problema está na forma como utilizamos nossos olhos durante horas seguidas, muitas vezes sem pausas, em ambientes com ar-condicionado e baixa umidade, fatores que potencializam o ressecamento ocular", afirma a especialista.

Apesar de ser frequentemente associado ao uso excessivo de telas, o desconforto ocular também pode estar relacionado a outras condições, como erro de refração (necessidade de atualização dos óculos), síndrome do olho seco, inflamações da superfície ocular e outras doenças oftalmológicas.

"Quando os sintomas passam a ocorrer diariamente, persistem mesmo após o descanso, são acompanhados de dor intensa, piora importante da visão ou sensibilidade excessiva à luz, é fundamental procurar avaliação médica. Esses sinais podem indicar condições que vão além da fadiga ocular", alerta Affonso.

Além da avaliação oftalmológica periódica, algumas medidas simples ajudam a reduzir o desconforto no dia a dia.

Entre elas estão realizar pausas durante o trabalho, manter boa hidratação, ajustar a iluminação do ambiente e lembrar de piscar conscientemente enquanto utiliza dispositivos eletrônicos.

Uma estratégia bastante recomendada pelos oftalmologistas é a regra 20-20-20: a cada 20 minutos de uso contínuo de telas, olhar por aproximadamente 20 segundos para um objeto localizado a cerca de 6 metros de distância. A prática ajuda a relaxar a musculatura ocular e reduzir o esforço visual.

"É importante lembrar que aliviar o sintoma não significa tratar sua causa. Muitas pessoas recorrem a colírios por conta própria ou simplesmente se acostumam com o desconforto. O ideal é identificar o motivo do cansaço para que o tratamento seja realmente eficaz", reforça a médica.

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