Com as férias escolares se aproximando, famílias que deixaram o planejamento para a última hora ainda têm opções, mas precisam de estratégia
Julho se aproxima, as crianças já perguntam sobre as férias e a sensação é de que o tempo para planejar uma viagem passou. Passagens caras, hotéis lotados e a certeza de que "quem não se antecipou perdeu". Mas especialistas em turismo garantem que essa percepção nem sempre corresponde à realidade.
"Ainda há janelas de oportunidade. Existem destinos, datas e formatos de viagem que oferecem boas condições", afirma Ivana Malerba consultora de Viagem e Turismo.
A alternativa está em olhar para cidades menores, destinos de natureza menos badalados e até em repensar o próprio conceito de férias, aconselha Ivana. “Datas fixas, destinos muito concorridos e acomodações sofisticadas são combinações que raramente funcionam para o viajante de última hora sem custo elevado”.
Flexibilidade é a palavra-chave
Para quem está começando o planejamento em cima da hora, a principal dica é abrir mão da rigidez.
“Uma estratégia recomendada é dividir as férias. Em vez de uma viagem longa para um único destino, muitas famílias têm optado por roteiros mais curtos, dois ou três dias em cada lugar, combinando rodoviário e aéreo conforme a necessidade”.
O comportamento do turista brasileiro mudou
Nos últimos anos, o perfil do viajante nacional passou por uma transformação significativa. A busca por roteiros personalizados, experiências autênticas e destinos que caibam na realidade financeira da família cresceu de forma consistente.
Dados do Ministério do Turismo mostram que o setor em abril deste ano registrou números significativos. O número de passageiros domésticos foi o maior da história no primeiro quadrimestre de 2026, com 33,7 milhões de passageiros voando pelo país. A quantidade é 6,5% maior que os 31,6 milhões contabilizados no mesmo período de 2025.
"O brasileiro aprendeu a viajar, pesquisa mais, compara e está disposto a experimentar destinos que antes nem consideraria. Isso abriu um mercado para cidades históricas, destinos de ecoturismo, litoral fora do eixo mais famoso”, explica Ivana.
Orçamento: como definir o que é possível
Antes de pesquisar destinos, a consultora recomenda um passo que muitos pulam: definir com clareza quanto se pode gastar. O exercício parece óbvio, mas a ausência dele é responsável por boa parte dos arrependimentos financeiros pós-viagem.
"Coloque no papel o valor total disponível e divida nas categorias principais: transporte, hospedagem, alimentação e atividades. Isso dá um panorama real do que cabe e evita a armadilha de começar pelas passagens sem pensar no restante."
Para quem ainda hesita, a mensagem dos especialistas é direta: vale a pena tentar. As férias de julho têm demanda alta, sim, mas o mercado de viagens é dinâmico o suficiente para oferecer alternativas a quem está disposto a ser criativo.