A infecção urinária é uma das doenças mais comuns entre as mulheres e pode trazer impactos importantes para a saúde quando ocorre de forma recorrente. De acordo com especialistas, a maior incidência no público feminino está relacionada principalmente à anatomia do trato urinário. Os dados dos estudos epidemiológicos apontam que entre 80 e 85% dos casos totais na população ocorrem em mulheres. As informações também mostram que de 50 a 60% deste publico terá episódios de infecção urinária ao longo da vida, com até 30% de possibilidade de apresentar recorrência. Segundo o médico nefrologista Alexandre Habitante, a preocupação surge justamente quando as infecções passam a ocorrer repetidamente.
"Uma infecção urinária por ano não costuma ser motivo de preocupação. No entanto, quando a paciente apresenta três ou mais episódios no período de um ano, é importante investigar as causas e buscar estratégias para evitar novas ocorrências", destaca o especialista.
Além do desconforto provocado pelos sintomas, a repetição das infecções pode gerar outros problemas. Inclusive, o uso frequente de antibióticos favorece o surgimento de bactérias mais resistentes, tornando os tratamentos futuros mais complexos.
"Cada episódio tratado com antibiótico exerce uma pressão sobre as bactérias. Com o tempo, elas podem desenvolver resistência, dificultando o controle da infecção e exigindo medicamentos mais específicos", afirma Alexandre.
Outro ponto de atenção é o impacto da doença sobre os rins. Quando não diagnosticada ou tratada rapidamente, a infecção pode alcançar estruturas mais profundas do sistema urinário e até levar à morte.
"Caso o diagnóstico seja tardio a infecção pode atingir os rins, causando um problema mais grave, inclusive com risco de morte e cicatrizes renais, que podem levar a perda de função renal", alerta.
A incidência da doença também tende a aumentar com o avanço da idade, especialmente após a menopausa. "Neste período, ocorrem mudanças na mucosa urinária e vaginal que favorecem a colonização por bactérias. Por isso, observamos um aumento dos casos nessa fase da vida, especialmente devido à diabetes e hipertensão", explica.