Geral

Juros altos e cenário externo fazem FMI cortar estimativa de crescimento do Brasil para 2,2%

Créditos da imagem: Foto: Divulgação / Agência Brasil - print de WhatsApp.
Juros altos e cenário externo fazem FMI cortar estimativa de crescimento do Brasil para 2,2%

Da Redação, Campinas, SP.

13/10/2026 * 16H15

A economia brasileira deve registrar expansão de 2,2% em 2026 e de 1,9% em 2027, segundo dados da atualização do relatório Perspectivas da Economia Mundial, publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) na noite de segunda-feira (12). O resultado representa uma revisão desfavorável em comparação com o levantamento de julho, quando a instituição projetava crescimento de 2,4% para o ano corrente e de 2,2% para o período seguinte.

Apesar do recuo nas estimativas, a perspectiva do organismo multilateral supera o cálculo oficial do governo brasileiro. Em setembro, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,3% para 2,0%. No mercado financeiro, as projeções colhidas pelo Boletim Focus do Banco Central são ainda mais contidas, prevendo avanço de 1,85% em 2026 e de 1,40% para 2,027.

Juros altos sufocam consumo e restringem investimentos produtivos

Ao detalhar o desempenho da maior economia da América Latina, o FMI atribuiu a desaceleração da atividade produtiva ao aperto monetário persistente no país, além do encerramento de estímulos fiscais e do cenário de incerteza global. O diagnóstico do organismo financeiro reflete os efeitos diretos da taxa básica de juros sobre o cotidiano da população de menor renda e das pequenas empresas, uma vez que o crédito caro inibe investimentos no setor produtivo e restringe a geração de renda.

Atualmente fixada em 13,75% ao ano, a taxa Selic atravessa trajetória de queda gradual iniciada em março de 2026, quando marcava 15% ao ano. Ainda assim, o patamar elevado do encargo continua operando como uma trava sobre o consumo das famílias e o financiamento produtivo.

Em relação à trajetória dos preços ao consumidor, o relatório estima que o Brasil fechará 2026 com inflação de 4,4%, avançando para 4,1% em 2027. Os dois índices permanecem dentro do limite da meta perseguida pelo Banco Central, que estabelece teto de 4,5%. Em contrapartida, as projeções do Ministério da Fazenda apontam inflação de 4,9% este ano e 3,8% no próximo, enquanto a pesquisa Focus projeta 5,22% para 2026 e 4,30% em 2027. O FMI ressalta que choques nos preços globais de alimentos e insumos energéticos continuam pressionando o custo de vida internacional.

Mercado de trabalho, mercado petroleiro e produção agrícola

No campo do emprego, o organismo financeiro projeta que a taxa média de desocupação no país alcançará 6,2% ao final de 2026 e 6,8% em 2027. A estimativa contrasta com o indicador apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pnad Contínua, que registrou desemprego de 5,3% no trimestre encerrado em agosto, menor patamar para o período desde a formação da série histórica em 2012.

O levantamento internacional cita o Brasil em duas passagens estratégicas sobre o mercado de commodities. Diante da volatilidade nos preços do petróleo causada pelo conflito armado na região do Golfo Pérsico, que comprometeu o fluxo comercial pelo Estreito de Ormuz, o país passou a integrar o grupo de produtores não membros da OPEP encarregados de compensar a oferta global, ao lado de Cazaquistão, Estados Unidos e Venezuela.

No setor agrícola, a publicação pontua que variações climáticas afetaram a produção do café, cujos preços subiram 8% entre março e agosto em decorrência das tempestades registradas em Minas Gerais, fato que atrasou o trabalho no campo e levantou incertezas sobre a qualidade da safra colhida.

Compartilhe esta notícia:

×