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Maio Furta-cor: o lado invisível da maternidade acende alerta para a saúde mental das mães -Andréa Laureano

Maio Furta-cor: o lado invisível da maternidade acende alerta para a saúde mental das mães -Andréa Laureano

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Com a chegada do Dia das Mães, celebrado neste domingo (10), ganha ainda mais força a importância de falar sobre a maternidade para além dos estereótipos. Embora culturalmente associada a um período de felicidade plena, essa fase também pode trazer desafios emocionais que nem sempre são visíveis e que, muitas vezes, acabam silenciados. Afinal, não existe um manual: a maternidade é vivida de forma única por cada mulher, o que pode despertar sentimentos conflitantes diante das mudanças e oscilações de humor, levando, por vezes, à sensação de inadequação ou culpa.
Nesse contexto, o Maio Furta-Cor propõe ampliar o olhar sobre a saúde mental materna. O movimento, que leva no nome a ideia de uma cor que muda conforme a luz, simboliza justamente a complexidade e as múltiplas experiências que envolvem a maternidade, incentivando o diálogo e o acolhimento.
Ainda pouco discutida, a saúde mental materna merece atenção desde a gestação, um período marcado por intensas transformações físicas e emocionais. Com tantas demandas e expectativas, o cuidado com o bem-estar emocional muitas vezes fica em segundo plano. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 10% das mulheres apresentam depressão durante a gestação ou no período pós-parto, reforçando a necessidade de um olhar atento, acolhedor e livre de julgamentos.
Baby blues x depressão pós-parto: qual a diferença?
De acordo com Andrea Laureano, ginecologista e mastologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas, é fundamental diferenciar dois quadros comuns nesse período. “O baby blues é uma condição leve e frequente, marcada por maior sensibilidade emocional, choro fácil e oscilações de humor nos primeiros dias após o parto, com melhora espontânea em até 10 dias”, explica.
Já a depressão pós-parto é mais intensa e duradoura. “Os sintomas persistem por mais de duas semanas, podem impactar a rotina e o cuidado com o bebê e podem surgir em qualquer momento até o primeiro ano após o nascimento, exigindo acompanhamento profissional”, completa a especialista.
Fatores de risco e período de maior atenção
Entre os fatores que podem contribuir para o adoecimento emocional estão a sobrecarga, a privação de sono e a falta de apoio. “Também influenciam dificuldades financeiras, histórico de transtornos mentais, baixa autoestima, gravidez não planejada e a ausência ou pouca participação do parceiro”, destaca Andrea. O período mais sensível varia conforme o quadro. Enquanto o baby blues surge nos primeiros dias após o parto, a depressão pós-parto é mais comum entre o primeiro e o segundo mês, podendo se intensificar nos seis primeiros meses. “A dificuldade está no fato de que muitas mulheres não reconhecem os próprios sintomas: cerca de um terço não acredita ter o diagnóstico e até 80% não relata espontaneamente o que está sentindo aos profissionais de saúde”, alerta Andrea.
A presença de uma rede de apoio é essencial para tornar esse momento mais leve. Embora algumas demandas sejam exclusivas da mãe, como a amamentação, o suporte de familiares e pessoas próximas ajuda a dividir tarefas e reduzir a sobrecarga, contribuindo para o bem-estar emocional.
Mudanças no autocuidado ou no cuidado com o bebê, tristeza persistente, irritabilidade, ansiedade intensa, cansaço extremo, dificuldade para dormir, culpa e perda de apetite são sinais de atenção. “Sempre que a mulher se sentir mais vulnerável, é importante buscar ajuda. O acompanhamento pode incluir psicoterapia e, quando necessário, medicação, sempre com avaliação cuidadosa. Em casos mais graves, a avaliação deve ser imediata”, orienta a especialista. Ela reforça, ainda que, na maioria dos casos, é possível manter a amamentação com segurança, com a orientação adequada.
Por fim, Andrea destaca que o cuidado pode, e deve, começar ainda no pré-natal, que é um momento importante para identificar sinais de risco e, se necessário, encaminhar para acompanhamento especializado. “Mulheres com histórico de saúde mental precisam de atenção redobrada, e hábitos como a prática de atividade física podem ajudar na prevenção”, afirma. “Quando há suspeita, o cuidado deve ser conduzido de forma responsável e acolhedora, com o apoio de profissionais de saúde mental. O acompanhamento conjunto faz toda a diferença para que a mulher se sinta segura e amparada”, finaliza.

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