Estudo associa uso excessivo de smartphones a sintomas como ansiedade, insônia dependência emocional, especialmente entre adolescentes e pessoas acima dos 60 anos.
O uso excessivo do celular já afeta não apenas jovens, mas também pessoas acima dos 60 anos. Um estudo recente realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) associou o uso sem limites de smartphones em idosos a sintomas como ansiedade, insônia, irritabilidade e nomofobia — termo utilizado para definir o medo excessivo de ficar sem acesso ao celular.
A pesquisa analisou estudos internacionais publicados nos últimos anos e identificou impactos emocionais, cognitivos e comportamentais relacionados à dependência digital nessa faixa etária. O estudo mostra que o problema tende a crescer com o aumento do tempo de exposição às telas e a substituição de interações presenciais por conexões virtuais.
Embora a tecnologia tenha ampliado a comunicação e facilitado o acesso à informação, o uso sem limites pode comprometer a saúde mental e a qualidade de vida. Entre os principais sinais de alerta estão dificuldade de se desconectar, necessidade constante de verificar notificações, irritação ao ficar sem internet ou bateria e sensação de ansiedade longe do aparelho.
Segundo a psicóloga Iunci Pinheiro, a nomofobia não está relacionada apenas ao hábito de usar o celular com frequência, mas à dependência emocional criada em torno do dispositivo. “Em muitos casos, o celular deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a funcionar como uma forma de compensação emocional, distração constante ou tentativa de aliviar sentimentos de solidão, insegurança e ansiedade”, explica.
Os impactos também atingem o sono e a capacidade de concentração. A exposição prolongada às telas, principalmente no período noturno, interfere na produção de melatonina e dificulta o relaxamento cerebral, favorecendo quadros de insônia, fadiga e irritabilidade.
“A mente permanece em estado constante de alerta e estímulo. Isso dificulta o descanso mental e reduz a capacidade de desacelerar, algo fundamental para a regulação emocional e para a qualidade do sono”, afirma Iunci.
Outro ponto observado é o aumento do isolamento social. Apesar da hiperconectividade, o excesso de tempo online pode reduzir interações reais e dificultar vínculos presenciais, especialmente entre idosos que já enfrentam mudanças emocionais importantes relacionadas ao envelhecimento.
“A conexão digital não substitui integralmente a experiência emocional das relações presenciais. Quando o celular passa a ocupar todos os espaços, existe o risco de empobrecimento das trocas afetivas reais”, alerta a psicóloga.
Profissionais da saúde mental ensinam que é necessário desenvolver uma relação mais saudável com o uso dos dispositivos digitais. Estabelecer horários sem celular, limitar notificações e priorizar atividades presenciais são algumas das medidas recomendadas.
Quando o uso passa a comprometer sono, relações pessoais, produtividade ou bem-estar emocional, a orientação é buscar ajuda profissional. “O problema não está apenas no tempo de tela, mas na função emocional que o aparelho passa a exercer na vida da pessoa. Quando existe sofrimento, ansiedade ou incapacidade de se desconectar, é importante olhar para isso com atenção clínica”, conclui Iunci.