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16 de fevereiro de 2026

Perigos do ‘Kit Ressaca’ e da automedicação – Aline Aparecida Pereira Souza

Farmacêutica e responsável técnica pela Farmácia Escola do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR)

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Com a chegada do Carnaval, muitos foliões recorrem aos chamados “kits ressaca” — combinações de analgésicos, antiácidos e anti-inflamatórios — na tentativa de acelerar a recuperação após o consumo de álcool. No entanto, o que parece ser uma solução rápida esconde graves riscos à saúde.

Segundo Aline Aparecida Pereira Souza, farmacêutica e responsável técnica pela Farmácia Escola do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), essa prática é perigosa e sem fundamentação científica. “Essas substâncias não possuem indicação farmacológica para anular os efeitos do álcool. Pelo contrário, o consumo irracional pode sobrecarregar órgãos vitais como fígado, rins e estômago”.

Os riscos da mistura: Álcool + Medicamentos
A especialista destaca que a associação entre bebidas alcoólicas e medicamentos pode potencializar a toxicidade das substâncias e causar danos severos ao organismo, tais como:

• Sobrecarga do Fígado: O álcool e medicamentos competem pela mesma via de metabolização, aumentando drasticamente o risco de hepatite medicamentosa.
• Danos Gástricos: A mistura com anti-inflamatórios eleva as chances de úlceras e hemorragias no estômago.
• Sistema Nervoso: Quando associado a analgésicos ou antialérgicos, o álcool pode causar sedação excessiva, tontura, confusão mental e perda da coordenação motora, facilitando quedas e acidentes.
• Efeito “Mascarado”: Medicamentos e bebidas energéticas podem esconder os sinais de embriaguez, levando o folião a consumir ainda mais álcool e aumentando o risco de intoxicação grave.

Por que evitar o “Kit Ressaca”?
Aline destaca que muitos desses kits contêm fármacos cujas bulas contraindicam expressamente o uso associado ao álcool.

Ela lembra ainda que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a venda desses kits, pois a mistura de vários princípios ativos sem orientação profissional pode reduzir ou anular o efeito de um dos medicamentos, potencializar efeitos colaterais, causar alterações na pressão arterial e no ritmo cardíaco.

Como prevenir e tratar a ressaca com segurança?
A especialista reforça que a ressaca é uma resposta do corpo à desidratação e ao excesso de toxinas. Por isso, o único remédio indicado é o tempo e o cuidado.

Para prevenir, a recomendação é:
• Hidratação constante: Intercalar um copo de água para cada dose de bebida alcoólica.
• Alimentação: Nunca beber de estômago vazio; priorize alimentos ricos em amido e vegetais.
• Moderação: Evitar a mistura de diferentes tipos de bebidas alcoólicas.

Para quem já está de ressaca, a sugestão é:
• Medidas não farmacológicas: Repouso absoluto e hidratação intensa com água ou soluções isotônicas para repor eletrólitos perdidos, que desempenham um papel importante em diversas funções do corpo, como regular a função dos músculos e manter o equilíbrio de água.
• Alimentação leve: Consumir frutas e caldos, evitando alimentos gordurosos que sobrecarregam o fígado.
• Evite a automedicação: O uso indiscriminado de medicamentos não acelera o processo e pode piorar o quadro clínico.

“É importante ressaltar que não existe um medicamento capaz de anular os efeitos do álcool no organismo. Por isso, a melhor prevenção ainda é o consumo moderado. E se a ressaca incluir vômitos intensos, tonturas extremas ou dores muito fortes, procure um médico, complementa a farmacêutica Aline Aparecida Pereira Souza, responsável técnica pela Farmácia Escola do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR)

Camilla Godoy

Camilla Godoy

Jornalista

Camilla Godoy

Camilla Godoy

Jornalista

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