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Polícia Civil investiga transporte forçado de pessoas em situação de rua de 22 cidades para Campinas

Créditos da imagem: Kamá Ribeiro.
Polícia Civil investiga transporte forçado de pessoas em situação de rua de 22 cidades para Campinas

Da Redação, Campinas, SP.

25/09/2026 * 15H53

A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito policial para apurar a transferência forçada de pessoas em situação de rua vinda de ao menos 22 municípios para Campinas. A apuração tomou como base uma representação formalizada pela Prefeitura de Campinas no final de agosto de 2026, amparada em relatos colhidos por equipes de assistência social do município entre os meses de abril e junho deste ano.

Durante as abordagens de campo na cidade, assistentes sociais identificaram 33 pessoas vulneráveis trazidas de outras cidades da Região Metropolitana de Campinas e de outros estados. Os depoimentos colhidos apontam que os migrantes foram deslocados sem possuírem laços familiares, laços de trabalho ou o desejo de se fixar em território campineiro.

A investigação conduzida pelo delegado Oswaldo Diez Junior tenta esclarecer a logística utilizada no transporte e verificar a ocorrência de coação praticada por agentes públicos ou secretarias de assistência social das localidades de origem. As prefeituras suspeitas começaram a ser notificadas para prestar informações oficiais sobre as remoções.

Segundo explicou o delegado Oswaldo Diez Junior nesta sexta-feira, 25 de setembro, as requisições buscam checar se a transferência desses cidadãos envolveu elementos coercitivos. O responsável pelo caso destacou que, com a comprovação das irregularidades, os agentes ou gestores envolvidos na condução forçada responderão na esfera penal pelo crime de constrangimento ilegal.

A Polícia Civil manteve em sigilo a lista dos 22 municípios sob investigação para preservar as diligências em andamento e evitar a instrumentalização do caso no cenário eleitoral.

Desafios do acolhimento e dados do déficit social

A transferência compulsória de vulneráveis sobrecarrega a rede local de proteção social e os serviços públicos de saúde e acolhimento da cidade. A prática de remoção sumária por gestões municipais, historicamente denunciada por movimentos sociais de defesa da população de rua, viola diretrizes de direitos humanos ao negar o direito à cidade e ao tratamento digno.

A dimensão da população desabrigada em Campinas já vinha sendo mapeada pelo poder público. Um levantamento amplo realizado pela Prefeitura de Campinas em parceria com a Fundação Feac, em 2014, contava 1.557 pessoas vivendo em situação de rua no município. Naquele período, 1,3 mil indivíduos pernoitavam diretamente em logradouros públicos, enquanto 257 contavam com acolhimento temporário na rede abrigal do município ou em entidades da sociedade civil.

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