Manhã Brasil

Psicóloga explica porque geração dos anos 60 e 70 era mais resiliente: “menos proteção, mais autonomia” – Iunci Pinheiro – psicóloga

Psicóloga explica porque geração dos anos 60 e 70 era mais resiliente: “menos proteção, mais autonomia” – Iunci Pinheiro – psicóloga

☁️ Ouça no SoundCloud:

Fonte: Iunci Pinheiro - Psicolóloga Clínica com mais de 20 anos de experiência no atendimento de crianças, jovens e adultos. Especialista no tratamento de traumas emocionais, utiliza a abordagem EMDR - (Eye Movement Desensitization and Reprocessing), tratamento desenvolvido por meio de estimulação dos hemisférios cerebrais, abordagem com resultados cientificamente embasados. Atuou como professora universitária, e, professora em consultoria de Recursos Humanos na área de Treinamento & Desenvolvimento / Atração & Seleção de Pessoas. Possui ampla experiência em orientação profissional e desenvolvendo projetos em empresas, escolas e consultório de psicologia, tanto individual como para grupos.

Psicóloga explica porque geração dos anos 60 e 70 era mais resiliente: “menos proteção, mais autonomia”

Estudo da psicologia do desenvolvimento investiga como experiências comuns entre crianças das décadas passadas podem ter contribuído para a construção da autonomia e da capacidade de lidar com adversidades.

Voltar da escola sozinho, resolver conflitos sem a intervenção de adultos e encontrar formas de enfrentar o tédio sem telas, aplicativos ou inteligência artificial eram experiências comuns para muitas crianças que cresceram nas décadas de 1960 e 1970. O que à época parecia apenas o modo normal de crescer passou a despertar o interesse da psicologia do desenvolvimento por sua possível relação com a construção da resiliência emocional na vida adulta.

Segundo a psicóloga Iunci Pinheiro, a resiliência não é resultado da ausência de dificuldades, mas da oportunidade de enfrentá-las de maneira gradual e compatível com cada etapa do desenvolvimento.

"Muitas pessoas dessa geração precisaram aprender cedo a lidar com frustrações, conflitos e imprevistos sem recorrer imediatamente a um adulto. Essas experiências podem favorecer o desenvolvimento da autonomia emocional e da percepção de capacidade para resolver problemas", afirma.

Entre as experiências mais frequentes estavam o retorno para casa desacompanhado após a escola, a resolução de desentendimentos entre colegas sem mediação adulta, a convivência com períodos de tédio e a participação em tarefas domésticas desde cedo.

O tema ganhou atenção internacional a partir de pesquisas como as do psicólogo Peter Gray, do Boston College, que observou uma correlação entre a redução das oportunidades de brincadeiras livres e sem supervisão e o aumento dos índices de ansiedade e dependência externa entre jovens nas décadas seguintes.

Para Iunci, a discussão não envolve defender modelos de criação baseados na ausência de cuidado, mas refletir sobre o equilíbrio entre proteção e autonomia.

"Crianças precisam de segurança, mas também precisam de oportunidades para desenvolver competências emocionais. Resolver pequenos problemas, negociar conflitos e lidar com frustrações são aprendizados que dependem da experiência prática", explica.

A especialista destaca ainda que resiliência emocional não significa endurecimento ou ausência de sofrimento.

"Ser resiliente não é não sofrer. É desenvolver recursos internos para enfrentar adversidades, adaptar-se às mudanças e seguir funcionando mesmo diante das dificuldades", conclui.

Compartilhe esta notícia:

×