Na manhã desta quarta-feira o programa Manhã Brasil conversou com o Gilmar Marques Rodrigues que é psicólogo do IBCC Oncologia para falar sobre a
saúde mental do paciente oncológico durante o tratamento.
Estudos mostram que ansiedade e depressão afetam até um terço dos pacientes e que apoio psicológico pode influenciar diretamente a qualidade de vida e a adesão ao tratamento
Receber o diagnóstico de câncer ainda é, para muitos pacientes, um dos momentos mais desafiadores da vida. Além dos impactos físicos causados pela doença e pelos tratamentos, cresce a atenção da comunidade científica para um fator decisivo no cuidado oncológico: a saúde mental do paciente.
“O diagnóstico oncológico costuma provocar reações emocionais intensas desde a fase de investigação até a confirmação da doença”, pontua Emília Oliveira, psicóloga do IBCC Oncologia. A notícia pode desencadear sentimentos como choque, raiva, revolta, negação, medo da morte, insegurança com relação ao futuro, tristeza e/ou sensação de perda de controle sobre a própria vida.
“Entre os sinais que merecem atenção logo no início do tratamento estão preocupações excessivas com o futuro, aumento de ansiedade, angústia e medo, sentimentos persistentes de desesperança, perda de interesse por atividades antes prazerosas, isolamento social, choro frequente, dificuldades de aceitação do diagnóstico e baixa adesão ao tratamento. Quando identificados precocemente, os sinais permitem intervenções psicológicas que ajudam a prevenir o agravamento do sofrimento emocional e favorecem melhor qualidade de vida ao longo do tratamento”, explica a psicóloga.
Estudos já indicam que transtornos como ansiedade e depressão são comuns entre pessoas com câncer, podendo comprometer a qualidade de vida, a resposta ao tratamento e até a relação do paciente com a equipe de saúde.
Uma pesquisa publicada em 2024, na revista internacional Cancers, aponta que mais de 30% dos pacientes oncológicos apresentam sintomas de ansiedade e cerca de 22% convivem com sinais de depressão, especialmente nos primeiros meses após o diagnóstico ou em fases mais avançadas da doença. Os números reforçam que o sofrimento emocional não é um efeito colateral secundário, mas parte central da jornada do paciente.
Novos achados ampliam o olhar sobre o cuidado emocional
Em 2025, um estudo publicado na Scientific Reports trouxe um avanço importante ao analisar não apenas a presença de ansiedade e depressão, mas também o papel da chamada flexibilidade psicológica, ou seja, a capacidade de a pessoa lidar com situações difíceis sem se paralisar emocionalmente.
Os pesquisadores observaram que pacientes com mais flexibilidade psicológica apresentaram melhor qualidade de vida, mesmo diante de sintomas emocionais intensos. O achado abre caminho para abordagens terapêuticas mais personalizadas, que vão além do tratamento medicamentoso e incluem acompanhamento psicológico contínuo.
“O atendimento psicológico oferece espaço seguro e acolhedor para que o paciente possa expressar seus sentimentos e emoções, auxiliando na regulação emocional em todas as fases da doença, que envolve o diagnóstico, passa pelo tratamento até a remissão ou os cuidados paliativos”, explica Emília.
A psicóloga atesta que a psicoterapia ajuda o paciente a nomear e compreender seus sentimentos, desenvolver estratégias de enfretamentos mais saudáveis, reduzir sintomas de ansiedade, fortalecer seus recursos emocionais e contribuir para a preservação da identidade para além da doença.
Orientações práticas para os pacientes
A psicóloga do IBCC Oncologia listou nove atitudes que podem contribuir para o bem-estar emocional do paciente durante o tratamento oncológico.
A rede de apoio também precisa ser olhada
A família e os amigos também são profundamente afetados pelo câncer. O suporte psicológico aos familiares e cuidadores é fundamental para ajudá-los a lidar com o estresse, as incertezas e as exigências físicas e emocionais da rotina de cuidados.
A psicóloga do IBCC Oncologia explica que esse acompanhamento contribui para a compreensão do processo de adoecimento, o manejo das próprias emoções e a melhoria da comunicação com a equipe de Saúde. “Atua também na prevenção de adoecimentos psíquicos, como ansiedade, depressão e estresse do cuidador, promovendo mais equilíbrio emocional e qualidade de vida para quem cuida”, destaca.
Confira cinco comportamentos que auxiliam a rede de apoio durante o tratamento:
A importância da abordagem multidisciplinar
O cuidado integral ao paciente oncológico exige abordagem multidisciplinar, envolvendo oncologistas, psicólogos, psiquiatras, enfermeiros e assistentes sociais. O acompanhamento psicológico, quando integrado desde o início do tratamento, pode melhorar a adesão terapêutica, reduzir o sofrimento emocional e favorecer a comunicação entre paciente, família e equipe médica.
“Pacientes que se sentem acolhidos e validados tendem a aderir melhor ao tratamento e às recomendações médicas. A psicoterapia também ajuda a desmistificar o câncer, reduzindo a ansiedade, fortalecendo estratégias de enfrentamento e promovendo melhor qualidade de vida”, explica a psicóloga.
No IBCC Oncologia, todos os profissionais são capacitados para oferecer suporte emocional a pacientes e familiares, tanto nas unidades de internação quanto no ambulatório. Investir em suporte emocional é investir em qualidade de vida, dignidade e cuidado integral, pilares fundamentais no enfrentamento do câncer.