Política

STF tira sigilo de processo sobre pagamentos de ex-banqueiro na véspera de sessão decisiva

STF tira sigilo de processo sobre pagamentos de ex-banqueiro na véspera de sessão decisiva

Da Redação, Campinas, SP.

14/09/2026 . 15H27

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira, dia 14 de setembro, o segredo de Justiça de um processo que apura a rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A decisão foi formalizada após determinação do presidente do STF, ministro Edson Fachin, e atende a parecer manifestado no mesmo dia pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A medida libera o acesso a 54 linhas de investigação vinculadas à Operação Compliance Zero, apuração da Polícia Federal que examina suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras de grande porte atribuídas ao empresário.

A liberação dos documentos ocorre em um momento de tensão no Judiciário e antecede a sessão plenária marcada para a terça-feira, dia 15 de setembro. O pedido para derrubar a restrição partiu originalmente do ministro Alexandre de Moraes, que acionou a Presidência da Corte sob a justificativa de que a publicidade do material relacionado aos repasses do ex-banqueiro é indispensável para o julgamento no qual os magistrados vão deliberar sobre a abertura de uma investigação referente a Moraes.

Mensagens e contratos sob análise do plenário

O foco da sessão plenária de terça-feira é um relatório elaborado pela Polícia Federal que reúne 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes entre os anos de 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso preventivamente. Segundo os investigadores, os registros mantidos no telefone celular apreendido demonstram proximidade entre os dois interlocutores. Nos textos, o empresário indica o compartilhamento de um contrato no valor de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório mantido pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Os registros mostram ainda que Vorcaro buscou obter detalhes sobre o cumprimento do mandado de prisão contra ele, embora a perícia da PF tenha informado que as respostas do destinatário não foram recuperadas nos aparelhos.

O caso provocou repercussão na Corte desde o início do mês de setembro, quando o próprio relator do processo, ministro André Mendonça, retirou a tarja de segredo sobre esses elementos. A divulgação desencadeou divergências entre integrantes do STF. A Procuradoria-Geral da República solicitou a anulação do relatório sob o argumento de vícios formais na produção das provas, sustentando que investigações envolvendo ministros da Corte exigem prévia comunicação e autorização do plenário.

Contestação cruzada e próximos desdobramentos

Em reação ao avanço das apurações, Alexandre de Moraes tornou público um documento classificado por ele como relatório de inteligência da Polícia Federal, no qual se aponta um suposto direcionamento na condução dos inquéritos por parte de Mendonça para atingir adversários. O relatório apresentado, no entanto, não ostenta assinatura nem timbre da corporação, contendo na capa um aviso de que os dados ali reunidos tratam-se de hipóteses sem valor probatório.

Paralelamente ao julgamento marcado para esta terça-feira, o ambiente institucional no STF aguarda outro desdobramento fixado pela Presidência. O ministro Edson Fachin agendou para o dia 23 de setembro a análise de um pedido formalizado por Moraes para instaurar apuração contra André Mendonça. A solicitação aponta indícios de crime de responsabilidade, improbidade administrativa e abuso de autoridade na gestão do inquérito do Banco Master.

Com informações da Agência Brasil.

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