Da Redação, Campinas, SP.
11/09/2026 . 14H20
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de inquérito policial para apurar a participação do senador Flávio Bolsonaro e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em suspeitas de crimes ligados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão atende a um requerimento da Polícia Federal com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República e teve o sigilo retirado após solicitação do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
A investigação apura a transferência de R$ 61 milhões para custear a produção cinematográfica. Os recursos teriam sido fornecidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que os valores foram disponibilizados a pedido do senador, enquanto Eduardo Bolsonaro é investigado como potencial beneficiário de parte do montante.
A inclusão do parlamentar na apuração ocorreu em 22 de julho, mas a existência do procedimento formal tornou-se pública após o ministro André Mendonça retirar o segredo de Justiça de 15 procedimentos derivados da Operação Compliance Zero. A operação investiga esquemas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras atribuídas a Vorcaro e seu grupo empresarial.
Apesar da publicidade dada à abertura da investigação, o teor detalhado dos autos permanece sob sigilo resguardado por determinação do relator, atendendo à necessidade de preservação das diligências em andamento.
Delação premiada e áudios divulgados
No contexto das apurações, o relator homologou a delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Ele é apontado pelos investigadores como o operador responsável por efetuar repasses em dinheiro vivo destinados à produção do filme.
A linha de investigação ganhou desdobramentos após a veiculação de gravações nas quais o senador aparece em tratativas com Daniel Vorcaro sobre a captação de recursos para a obra cinematográfica.
Posição dos investigados
A defesa de Flávio Bolsonaro foi procurada para se manifestar sobre a abertura do inquérito. Em declarações anteriores sobre a divulgação dos áudios, o parlamentar não contestou a veracidade das gravações e declarou que a busca de investimento privado para a realização da cinebiografia não constitui irregularidade. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Eduardo Bolsonaro e de Daniel Vorcaro até o fechamento desta edição.