Política

Tensão no Supremo: Decano pede adiamento de análise sobre Moraes e acusa relator de conduta política

Tensão no Supremo: Decano pede adiamento de análise sobre Moraes e acusa relator de conduta política

Da Redação, Campinas, SP.

15/09/2026 . 14H36

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) registrou um momento de tensão institucional inédito nesta terça-feira (15). Durante sessão plenária extraordinária convocada para avaliar se a Corte abre investigação de caráter criminal contra o ministro Alexandre de Moraes, o decano do tribunal, Gilmar Mendes, acusou abertamente o ministro André Mendonça de conduzir o chamado caso Master com a intenção de interferir na eleição presidencial de 4 de outubro.

Em sua manifestação ao presidente da Corte, Edson Fachin, o decano afirmou que a atuação do relator possui viés político-eleitoral e questionou o momento escolhido para a retirada do sigilo de documentos da Polícia Federal. Mendonça reagiu às declarações classificando a suspeita levantada por Mendes como leviana.

Acusação de uso político de relatório e pedido de adiamento

A sessão foi marcada por questionamentos diretos sobre o calendário das decisões judiciais. Mendes sustentou que o ato de tornar público o material investigativo em 1º de setembro buscou coincidir deliberadamente com o ambiente das manifestações de 7 de setembro, servindo de palanque para a oposição.

Ao concluir sua intervenção, o decano apresentou uma questão de ordem solicitando a transferência da análise do caso para 23 de setembro. A data coincide com o julgamento agendado por Fachin para examinar um pedido apresentado por Moraes, que requer a investigação de Mendonça por suposto abuso de autoridade na condução dos procedimentos.

Origem do conflito e alegações no processo

A crise interna do tribunal teve início após a divulgação de um relatório parcial da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. O documento cita 52 mensagens que teriam sido enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master, a Alexandre de Moraes. A apuração aborda contatos mantidos entre 2023 e novembro de 2025, incluindo menções a um contrato com o escritório de advocacia da esposa de Moraes e questionamentos sobre operações policiais.

Em manifestação protocolada no processo na madrugada de terça-feira (15), Moraes rebateu as suspeitas, classificando o relatório policial como inconstitucional e ilegal, além de negar a prática de qualquer irregularidade. Por outro lado, a defesa de Mendonça rechaça que tenha ocorrido direcionamento das investigações.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se pela anulação do relatório da PF, argumentando que Mendonça permitiu o avanço da apuração sobre um integrante do Supremo sem a devida comunicação ao plenário ou à presidência da instituição. O nome do procurador-geral, Paulo Gonet, também é citado nas mensagens anexadas pela corporação.

Desdobramentos e representação cruzada

Em resposta às medidas tomadas no início do mês, Moraes tornou público um documento de inteligência que aponta possível uso das apurações da Operação Compliance Zero para atingir opositores. O material, que não possui assinatura ou timbre oficial, foi classificado no próprio texto como análise hipotética e sem valor probatório.

O impasse gerou a apresentação de pedidos cruzados de apuração dentro da própria Corte. Durante os trabalhos do plenário, os ministros Nunes Marques e Dias Toffoli declararam-se impedido e suspeito para votar, respectivamente. A sessão foi suspensa para o intervalo regimental após os debates iniciais entre os magistrados.

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