Da Redação, Campinas, SP.
22/09/2026 * 16H03
O jornalista e escritor Zuenir Ventura faleceu na manhã desta terça-feira, 22 de setembro, aos 95 anos, em sua residência no Rio de Janeiro. A causa da morte foi uma pneumonia, conforme comunicado oficial emitido pela Academia Brasileira de Letras. O velório do acadêmico está agendado para esta quarta-feira, 23 de setembro, no prédio da ABL, e o sepultamento será realizado no mausoléu da entidade, no Cemitério São João Batista.
Membro da academia desde 2015, quando assumiu a cadeira anteriormente ocupada pelo dramaturgo Ariano Suassuna, Zuenir marcou a história da imprensa e da literatura brasileira ao aliar apuração rigorosa e sensibilidade social. Sua produção bibliográfica tornou-se referência para gerações de profissionais de comunicação em todo o país, incluindo as redações e faculdades do interior paulista, como as de Campinas, onde seus livros integram bibliografias fundamentais de estudos em jornalismo impresso e grande reportagem.
Sua obra de maior impacto popular, 1968: O ano que não terminou, transformou-se em um marco da historiografia recente do país ao reconstituir o ambiente político e cultural sob a ditadura militar. Anos mais tarde, com Cidade Partida, o autor investigou a divisão social e o avanço do crime organizado na capital fluminense, trabalho que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Reportagem e consolidou o formato da grande reportagem investigativa no mercado editorial.
Trajetória profissional iniciou-se no arquivo de redação
Nascido em 1931 no município mineiro de Além Paraíba, Zuenir Ventura construiu sua trajetória acadêmica na área de Letras Neolatinas, obtendo os títulos de bacharel e licenciado. Sua atuação no ensino superior incluiu passagens como docente pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
O ingresso na imprensa ocorreu em 1956, no cargo de arquivista. A partir dessa função inicial, construiu uma carreira que percorreu todas as etapas da produção jornalística brasileira na segunda metade do século 20. Atuou como repórter, colunista, editor, chefe de reportagem e diretor de redação.
O percurso de Zuenir incluiu atuações em veículos que definiram a linguagem da imprensa escrita no Brasil, como os jornais O Globo, Correio da Manhã e Jornal do Brasil, além de publicações semanais e mensais de grande circulação, entre as quais as revistas Veja, Visão, Cruzeiro e Fatos & Fotos.
Referência para a formação jornalística regional
A perda do escritor repercute diretamente nos meios culturais e acadêmicos do país. A formação em letras e a prática da reportagem aprofundada transformaram seus escritos em modelos de linguagem sóbria, detalhismo na apuração e recusa a fórmulas superficiais.
Sua transição da redação para a literatura de não ficção ajudou a consolidar o livro-reportagem no Brasil como um instrumento capaz de registrar transformations sociais e políticas complexas. O velório na ABL reúne intelectuais, familiares e colegas de imprensa para as homenagens finais ao jornalista.