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Por Oscar Nucci

O cientista político Victor Marchetti diz que terceira via não emplaca no Brasil

Estamos a cerca de um ano das eleições presidenciais de 2022. Já é possível perceber diversas movimentações políticas para o ano que vem. Uma delas foi a filiação do ex- ministro Sérgio Moro ao partido Podemos e o anúncio de sua pré-candidatura para presidente. A campanha de Moro surge como um nome para a chamada “terceira via”. 

Outro partido que se descreve como uma opção de “terceira via” é o PSDB, que tem problemas em escolher o seu candidato por conta de problemas no aplicativo de votação das prévias. A escolha do nome tucano que seria dia 21 foi adiada para este domingo (28). 

Além do problema técnico, os pré-candidatos da sigla trocam farpas, como o governador de São Paulo João Doria que acusa Eduardo Leite, que é governador do Rio Grande do Sul, de querer “melar” as eleições. 

Temos ainda o Partido dos Trabalhadores que se envolveu em polêmica depois de publicar uma nota comemorando a vitória do ditador Daniel Ortega nas eleições de fachada feitas na Nicarágua. O PT apagou a nota depois de um tempo. 

Conversamos com o professor de ciências políticas da Universidade do ABC, Victor Marchetti, sobre todo esse cenário político um ano antes das eleições de 2022. 

Professor, é possível emplacar uma terceira via no país?

“Tudo que a gente tem de dados sobre o comportamento eleitoral e político do brasileiro de 1989 para cá, mostra que não tem esse espaço para surgimento de uma terceira via. No fundo a gente tem um sistema político que se organizou muito em volta do PT e do PSDB. Não me parece que há de fato um movimento do sistema político brasileiro para que exista essa tal terceira via”.

Qual a sua análise a essa crise do PSDB em suas prévias?

“Essas prévias do PSDB me parece que é algo como um cortejo fúnebre do partido que desidratou, que se arrebentou nas suas estruturas internas. Me parece que a gente está assistindo no curto prazo, um partido que vai se fundir a outro, que vai se reinventar e que vai tentar. E que por enquanto, está indo no caminho de um partido médio para pequeno, perdendo o protagonismo que sempre teve na política brasileira”.

Como o senhor analisa essa “aliança” do PT com esses países como Cuba, Nicarágua e Venezuela?

“O PT sempre primou pela ideia de autonomia dos povos, autonomia dos governos. Agora, é importante a gente frisar que esse discurso do PT alinhado com uma posição antidemocrática, ou alinhado com aquilo que se convencionou a chamar no Brasil de “comunismo”, isso faz parte de estratégia de disputa eleitoral. Fato é que independente da posição do PT em relação aos outros países, não dá para dizer que os governos petistas, os oito anos de governo Lula mais os seis anos de governo Dilma, não dá para dizer que foram governos que flertaram com a ruptura democrática”.

 

 

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