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Por Celina Silveira

Pesquisa aponta que novo coronavírus pode prejudicar funções cerebrais

O novo coronavírus pode afetar as células e as funções cerebrais do paciente infectado, é o que aponta um estudo recente realizado por pesquisadores da Unicamp e da USP e financiado pela Fapesp.

A influência do vírus nas funções cerebrais foi confirmada após análise dos tecidos dos cérebros de vinte e seis pacientes que morreram por Covid-19.

Segundo Daniel Martins-de-Souza, professor do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp e um dos coordenadores da investigação, os resultados do estudo apontam que o novo coronavírus compromete o funcionamento dos astrócitos, células responsáveis por alimentar e auxiliar na comunicação entre os neurônios.

“O astrócito é uma célula bastante importante para a função neuronal, para a função do neurônio. O neurônio é a célula que executa basicamente tudo o que o nosso cérebro faz. Tudo o que a gente pensa que o cérebro controla é feito pelos neurônios, mas os neurônio precisam do suporte dessa célula da Glia para conseguir funcionar, em particular, os astrócitos auxiliam os neurônios quanto uma demanda energética, ou seja, eles ajudam a nutrir os neurônios para que eles funcionem bem e os astrócitos participam muito centralmente das conversas entre os neurônios, quando um neurônio conversa com o outro eles estabelecem as sinapses”. 

No mesmo estudo os pesquisadores buscam avaliar se as sequelas relatadas por pacientes curados da doença, como dor de cabeça, fadiga, alteração de memória, perda de olfato e paladar são permanentes, para isso os 200 voluntários que participaram da primeira fase devem ser acompanhados pelos próximos três anos.

O que se sabe até o momento é que as sequelas relatadas pelos pacientes podem permanecer mesmo após a cura da Covid-19, como afirma o professor Eduardo Martinz-de-Souza.

“Ainda é cedo para falar sobre as sequelas porque a primeira pessoa que pegou covid no Brasil pegou há poucos meses atrás, então, não tem como saber se o comprometimento neuronal vai perdurar por muito tempo ou se ele vai sarar em algum momento. O que se tem visto na clínica é que pacientes que têm queixas neurológicas eventualmente apresentam esses sintomas ainda depois de terem sido curados da doença.”

Além de Unicamp e USP, participaram da investigação pesquisadores do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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