Rádio Brasil Campinas | AM 1270

Por Felipe Zangari

Reflexão Dom João Inácio – 01-04-20

Ouça aqui a mensagem de Dom João Inácio nesta quarta-feira.

“Paz e benção, saúdo você que me acompanha, saúdo o Felipe e a sua equipe da Rádio Brasil, em modo particular aqueles que nos acompanham por esse veículo de comunicação.

Quarta-feira da quinta semana da quaresma, estamos cada vez mais perto do domingo de Ramos, da semana Santa e do domingo da Ressurreição, nós estamos vivendo este ano uma quaresma totalmente atípica, onde nós fomos chamados a ficarmos reclusos, mas cada um no seu espaço de movimentação em casa.
Também nós a igreja, a igreja não só do Brasil, a igreja do mundo, nossa igreja católica, ela entendeu ser necessário nós também evitarmos a circulação e por isso nós também as aglomerações, e por isso as nossas igrejas não oferecem os sacramentos, de modo particular o sacramento da eucaristia, por que o número de pessoas que acorrem para essa celebração, que de fato é o máximo que nós podemos celebrar em nossa vida, é muito grande. Nós podemos contemplar o nosso Papa, em Roma, ele celebra sozinho, auxiliado por uma, duas ou três pessoas que fazem as leituras, servem o altar ou cantam, e as outras pessoas acompanham de maneira virtual, como nós também fazemos aqui na nossa Arquidiocese.

Nós continuamos a ler o evangelho de São João, hoje o finalzinho do capítulo oitavo, Jesus continua as suas discussões com os Judeus, e os Judeus são os opositores de Jesus, e eles se consideram de fato, filhos de Abraão, eles gabam-se serem filhos de Abraão e por isso eles pensam que são livres, mas eles não olham para o comportamento deles. E Jesus, pelo contrário, Ele dá a entender que a filiação de Abraão não está ligada a descendência genealógica. O que conta, e esse é o pensar de Jesus, o que conta é fazer as obras de Abraão e esses Judeus não têm as obras de Abraão.

Um verdadeiro filho de Abraão deveria, por conseguinte, aceitar Jesus e o dom supremo que Ele, Jesus, traz à humanidade. Ou seja, a filiação de Deus. Então o grande dom que Jesus nos traz é a filiação de Deus, e nós sermos de fato filhos de Deus, e Deus nosso pai, por conseguinte, irmãos de Jesus Cristo, animados pelo Espírito Santo que animou a vida de Jesus e por conseguinte, nos movendo conforme os critérios do evangelho. Para Jesus, ser filho significa então, levar uma vida ou um estilo de vida digno do próprio Pai, termos um estilo de vida do qual o Pai possa dizer, ‘Eu aprovo, é conforme a minha vontade’.

Então, eu creio que no dia de hoje, nós deveríamos, a começar por mim, a meditar um pouco, colocar esse espelho, desse evangelho, diante de nós ou colocar diante de nós o espelho que é Jesus e a sua vida, e eu tentar me olhar, a minha vida, o meu modo de pensar, sentir, ter emoções, me mover, fazer, o que eu penso dos outros, o modo como eu ajo. Jesus faria assim ou Jesus faria diferente? Se Jesus faria diferente, eu não faço como ele faz, eu ainda sou pouco filho do Pai, eu ainda sou pouco irmão de Jesus e, Jesus diria, eu ainda sou escravo de ídolos. Meus irmãos e minhas irmãs, não é tão fácil, não é tão fácil ser cristão, não é tão fácil ser católico. Eu diria assim, não basta dizer: ‘Sou cristão, sou católico’. Assim no tempo de Jesus os Judeus se chamavam de filhos de Abraão, não basta a tradição, é preciso fé!

Nesses últimos dias, de vez em quando alguém escreve algumas, ou e-mail ou também no face, assim questões sobre ligadas, sobre ‘que que as igrejas estão fechadas?’, ‘Eu quero ir na igreja’, ‘quero participar da missa’, ‘quero comungar’. Só que eles escrevem com tanta agressividade, que a gente se dá conta que ainda não tem nada de cristão naquela pessoa, querem comungar, fazem da comunhão o máximo, mas na verdade fazem da comunhão um rito ou fazem da própria eucaristia um ídolo. Então não pode alguém querer comungar e ser agressivo com os outros, as duas coisas não batem.

Então Jesus, hoje, Ele também nos questiona se nós usamos de fato de caridade, mesmo se os outros se contrapõe a nós, eu continuo mantendo caridade. Jesus, como nós sabemos, Ele foi manso que nem um cordeiro que vai ao matadouro, Ele foi pra cruz para entregar a sua vida.

Que Maria santíssima nesse dia nos acompanhe, que ela nos ensine a nós colocarmos em segundo lugar a nossa vontade e como ela falar: ‘Eis aqui a serva do Senhor, faça-se de mim e a minha vida, segunda a tua palavra, segundo a tua vontade’. E por intercessão da Mãe desça sobre você, sobre a sua família, sobre esse dia de oração, de meditação e também de trabalho, a benção, a força, a presença de Deus todo poderoso. Pai, o Filho e o Espírito Santo. Amém! Abençoado dia.”

O Som do Sagrado