Rádio Brasil Campinas | AM 1270

Por Felipe Zangari

Reflexão Dom João Inácio – 05-04-20

Acompanhe aqui a mensagem do nosso Arcebispo para este Domingo de Ramos.

“Paz e benção, saúdo com muito carinho quem nos acompanha pela Rádio Brasil, saúdo o senhor e a senhora com a sua família, Felipe, abraço a você e a sua equipe.

Hoje, nós celebramos com toda a igreja o domingo dos Ramos e da Paixão do Senhor. É um domingo onde nós vivemos,e contemplamos, e participamos, nos inserimos na grande esperança e na alegria do povo que reconhecem Jesus, o Messias, o filho de Davi, o salvador, que vai entrar ou está entrando em Jerusalém. Por outro lado nós também contemplamos com dor, o modo como o nosso Senhor é morto, é estraçalhado, com tudo, Ele transforma esse momento, onde Ele é entregue, Ele é massacrado, Ele transforma isto em entrega, Ele mesmo tantas vezes disse: ‘Ninguém tira a minha vida, eu a entrego livremente’. E como Deus, Ele poderia, como o fato que Ele é Deus poderia ter se safado da morte, mas isto não é o modo como Deus entendeu a sua encarnação, em outras palavras, Deus não é assim, Deus não foge do momento de dar a vida ao extremo, aliás, Jesus Cristo, Ele foi morto exatamente por que Ele deu vida.

Queria convidar você, a neste dia, contemplar o nosso senhor, que desde Befajé, começa a passar pelo alto do Monte das Oliveiras, onde existe hoje a marca da ascensão, ale tem o lugar onde Jesus ensinou o Pai Nosso aos seus discípulos, descendo pela montanha temos Dominus Flevit, onde o Senhor chorou sobre a cidade de Jerusalém, logo ao pé da montanha nós temos o Jardim das Oliveiras, onde nosso Senhor na quinta-feira a noite, ele então viveu a agonia dEle, e ali então, Ele foi preso, ali do ladinho nós temos a gruta, onde nosso Senhor com toda a certeza passava as noites com os seus discípulos quando Ele estava em Jerusalém, quando Ele ia e vinha para o templo, quando Ele voltava do templo, logo do lado, à direita, nós temos a tumba de Nossa Senhora, onde os discípulos depois da dormição de Maria santíssima a colocaram e dali ela foi elevada aos céus em corpo e alma. Depois logo à esquerda, passando o vale do Serrão, nós temos o santuário que faz memória à morte, ao apedrejamento de Estevão, que é o primeiro mártir que nós celebramos no dia 26 de dezembro, depois, subindo com calma a gente passa pela grande porta e depois entramos em Jerusalém, como nosso Senhor e Ele vai até o templo.

Gostaria de destacar um ou dois pontos da celebração de hoje, Jesus envia os seus discípulos e Ele diz, ‘Olha, vocês vão encontrar um senhor que tem um jumentinho, uma jumenta, desamarra-ia e pode dizer aquele senhor que depois o Senhor vai devolvê – la’. Nosso Senhor não se apropria de nada, Ele só se serve das coisas, a jumenta é sinal de serviço, não é sinal de poder, Jesus não entrou em Jerusalém com carro, nem com cavalo, que era o modo como os reis, os poderosos, aqueles que dominavam, que mostravam força, circulavam e entravam na cidade. Jesus entra de modo, como a sagrada escritura falava já no antigo testamento em Malaquias, de modo particular, de modo manso, como um servidor, a jumenta servia para transportar cargas, e nosso Senhor se carrega dos nosso fardos, e Jesus diz aos dois discípulos, desamarra-aí a Jumenta.

A Jumenta, de alguma maneira, representa todos nós, representa nosso Senhor e em nosso Senhor, todos nós somos representados. A jumenta, ou seja, a capacidade para o serviço foi amarrada desde o pecado de Adão, nós precisamos todos os dias desamarrar a nossa mania de sermos grande, de sermos mais que os outros, de querermos dominar os outros, de querermos enfrentar os outros, pra perceber que eu tenho mais força do que os outros, de que eu tenho razão, de fazer a vida difícil. A jumenta, desamarrar a jumenta significa: Eu me desamarrar para eu estar pronto para o serviço.Então esse é o convite para o dia de hoje.

E depois nosso Senhor que pegou a jumenta, e as pessoas que já foram estendendo mantos sobre a jumenta, e Ele montou, sentou sobre a jumenta, sobre os mantos, sobre a jumenta e Ele foi indo na direção de Jerusalém e as pessoas foram ainda estendendo os seus mantos pelo chão, os ramos que tinham na mão, quem não tinha ramo cortavam o ramo de uma árvore, cortava galhos, jogavam no chão para que Jesus, montado em uma jumenta, pudesse passar por cima dos mantos, dos ramos e dos galhos. O que que significa isso? E as pessoas gritavam ‘Hosana, hosana ao filho de Davi’. Nosso Senhor, Ele senta, Ele se senta em cima do serviço, os ramos, os galhos, os mantos que as pessoas colocavam ao serviço de Jesus, significa tudo aquilo que as pessoas são, as pessoas ali eram bastante pobres, elas colocavam tudo que elas tinham e tudo que elas eram a serviço do rei manso e humilde que está entrando em Jerusalém, que eles aclamavam como o Messias, o salvador.

Naquele tempo, quando um rei chegava em uma cidade, geralmente montado a cavalo, em cima de um carro, de uma carroça, uma charrete, então as pessoas aplaudiam ele, hoje se usa foguetes, buzinaços, naquele tempo eram ramos, eram mantos, era a roupa, eram galhos que se colocavam no chão para dizer que nós te reconhecemos rei e se precisar nós damos a nossa vida por ti. Então esse é o mesmo significado que fica hoje, quando Jesus entra em Jerusalém as pessoas se oferecem, dão se inteiramente a este rei manso que entra em Jerusalém, mas Ele é rei no serviço, essa que é a maravilha. Jesus sim é rei, Ele é o Messias rei, o rei de Israel, é o nosso rei, só que o modo dEle reinar não é ele querer ser servido, é ele nos servir.

Aí Ele entra em Jerusalém, entra no templo. Ele é o templo, e a glória dEle, não é ele receber touros, bodes, cabritos, sangues, pombos, cordeiros, dinheiro, não, Ele se entrega a nós. A glória de Jesus é Ele fazer o bem para nós. Então Jesus, Ele o templo, Ele entrega a sua vida, o templo, como que se entrega para nós tudo se inverte, essa é a glória de Deus e Ele se serve, Ele se coloca a nosso serviço, Ele se serve para a nossa salvação, serve se de si mesmo para nos salvar, essa é a realidade da realeza de Jesus. Então nós que estamos abrindo a semana Santa temos a coragem de contemplar muito este Cristo, este rei manso e coloquemos a nossa vida ao serviço dEle como Ele fez ao serviço dos outros.

Que Deus abençoe o senhor e a senhora neste dia, do domingo de Ramos, logo mais, às 10h estarei celebrando a missa pela Rede Século 21 e todos nós hoje vamos ter os nossos mantos abençoados pelos nossos padres. Que a graça e a força da bênção de Deus todo poderoso, Pai, o Filho, o Espírito Santo desça sobre você e sobre a sua família. Abençoado domingo de Ramos e da Paixão do Senhor.”

O Terço