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Por Luiz Felipe Leite

Sumaré é a cidade do Estado com mais mortes de pacientes com Covid-19 que não conseguiram leitos de UTI

Mais de 16% das pessoas que morreram em março no Estado de São Paulo por suspeita ou com confirmação da Covid-19, e que não resistiram à espera por um leito de UTI, foram de Sumaré. Foi também a cidade que mais registrou casos do tipo no mês passado. O levantamento foi divulgado pela EPTV, afiliada da Rede Globo na região de Campinas, na manhã desta quinta-feira (1).

Em Sumaré foram confirmadas 81 das 496 mortes registradas no Estado de São Paulo e que não tiveram o atendimento em Unidades de Terapia Intensiva em março. As vítimas estavam cadastradas no sistema responsável pela regulação de transferências das vagas de UTI do Estado, mas não resistiram. Março, inclusive, foi o mês mais letal da pandemia do novo coronavírus. O Governo de São Paulo confirmou 15.159 óbitos causados pela Covid-19.

Ainda segundo o levantamento, a segunda cidade de São Paulo com mais mortes de pessoas que estavam com o vírus e esperando por uma vaga em UTIs foi Franco da Rocha, da Região Metropolitana da Capital Paulista, com 47 óbitos.

Em entrevista à Rádio Brasil, o médico epidemiologista e professor de medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic, André Ribas Freitas, explicou que um tempo prolongado de espera coloca em risco a vida dos pacientes que necessitam de um leito de UTI. Ele descreveu que a presença de certos equipamentos, como ventiladores pulmonares e de profissionais como fisioterapeutas, específicos pras Unidades de Terapia Intensiva, são fundamentais na luta dos pacientes pela sobrevivência.

Ainda de acordo com o médico e especialista, o problema que causou essa situação em Sumaré e outras cidades não é a falta de leitos. E sim a ausência de controle dos novos casos e mortes resultantes da Covid-19.

Por meio de nota, após o fechamento da reportagem, a Prefeitura de Sumaré informou que reorganizou e ampliou toda a Rede Municipal de Saúde para o enfrentamento do surto epidemiológico, ampliando leitos para internação e assistência ambulatorial para pacientes com sintomas gripais. Ainda segundo a Administração Municipal, além dos investimentos já realizados em estrutura, é fundamental a colaboração de todos, adotando medidas de proteção, entre elas, evitar aglomerações.

Já a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, por meio da assessoria de comunicação, informou o seguinte: A taxa geral de ocupação na região de Campinas é de 89,6% na UTI, e a rede de saúde está sobrecarregada em todas as regiões. Somente na região, ao todo, são mais de 580 leitos de UTI e mil leitos de enfermaria destinados ao tratamento de pacientes COVID-19 na rede de saúde. O Governo do Estado tem feito sua parte. Tanto é que reativou o hospital de campanha no AME Campinas, onde estão em operação 25 leitos novos de UTI adulto e cinco de enfermaria. O serviço atuará como referência regional. A Secretaria de Estado da Saúde ampliou a capacidade do Hospital Estadual de Sumaré, com a implantação de 10 novos leitos de UTI. A unidade conta agora com 16 leitos de UTI exclusivos para a doença. O Governo também repassou, em janeiro de 2021, R$12 milhões, para custeio de 50 leitos de UTI nos Hospitais Ouro Verde e Mário Gatti, além de ampliação de mais 15 leitos novos no Hospital Ouro Verde. Além disso, foi realizado repasse de R$1,4 milhão para custeio de 10 leitos de UTI para Santa Bárbara D’Oeste, com envio também de 10 respiradores. Vale lembrar que o Estado também repassou mais de R$ 11,8 milhões para ampliação de leitos de UTI COVID no Hospital de Clínicas da Unicamp. Cabe destacar que está vigente a “Fase Emergencial”, com medidas mais duras de restrição, que se estendem até o dia 11, e tem como objetivo frear o aumento de novos casos, internações e mortes pelo coronavírus e conter a sobrecarga em hospitais de todo o Estado.

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