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Por Celina Silveira

Telegrama entregue à CPI da Pandemia revela que Brasil recusou proposta vantajosa para vacinar 20% da população, afirma jornalista

Reportagem publicada nesta quinta-feira (10) pelo colunista do portal Uol, Jamil Chade, aponta que no primeiro semestre de 2020 o governo brasileiro recebeu uma proposta da aliança mundial de vacinas, a GAVI, para aderir ao plano de imunização global com acesso a 86 milhões de doses de vacinas para o país.

A informação, segundo o colunista, consta em um telegrama sigiloso do Itamaraty encaminhado à CPI da Pandemia.

Segundo o documento, a GAVI, que é a entidade que administra o consórcio Covax Facility, teria sugerido que o Brasil adquirisse 86 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19, quantidade necessária para imunizar cerca de 20% da população brasileira.

No telegrama, enviado em julho de 2020 para a missão do Brasil em Genebra, o Itamaraty reconhece que a oferta era vantajosa para o país, pois previa “acesso a futuras vacinas contra a covid-19 a preços inferiores aos do mercado”. 

Segundo o colunista, “a parcela sugerida pela GAVI ao Brasil para a aquisição de 86 milhões de doses foi de US$ 195 milhões, cerca de 10% do total estimado em US$ 2 bilhões” e havia a possibilidade de o consórcio devolver o dinheiro, caso a vacina não fosse entregue.

Outro benefício citado no telegrama do Itamaraty, era a possibilidade de “mitigação de riscos em um cenário de alta incerteza quanto à Covid-19”.

Apesar das considerações positivas à respeito da proposta da GAVI, o Itamaraty informou ao posto em Genebra que o Ministério da Saúde indicou que as nove vacinas contempladas na proposta, entre elas a AstraZeneca e a Moderna, encontravam-se em diferentes estágios de desenvolvimento, razão pela qual haveria incerteza quanto a seus resultados finais.

O Itamaraty teria então orientado o posto em Genebra a mandar uma carta para a GAVI, sinalizando o interesse do Brasil nas vacinas, mas sem confirmar o acordo. O objetivo, segundo o Itamaraty, era ganhar tempo para tomar uma decisão a respeito da conveniência, para o Brasil, em aderir ao consórcio Covax Facility. 

A adesão do Brasil ao consórcio foi sinalizada em setembro de 2020 após o presidente Jair Bolsonaro autorizar a liberação de R$ 2,5 bilhões para a aquisição de 43 milhões de doses, quantidade necessária para imunizar 10% da população. 

Em depoimento à CPI da Pandemia na última quinta-feira (09) o ex-secretário executivo do Ministério da Saúde afirmou que a decisão por comprar doses para imunizar apenas 10% da população aconteceu porque havia no Ministério da Saúde a expectativa para o recebimento de 256 milhões de doses das vacinas AstraZeneca/Fiocruz e da Coronavac/Butantan.

A Rádio Brasil Campinas questionou a assessoria do Ministério da Saúde sobre o motivo que levou a pasta a não aceitar a oferta de doses para 20% da população, mas, até o fechamento desta reportagem, o Ministério da Saúde não respondeu aos questionamento.

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