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Por Luiz Felipe Leite

Uma em cada cinco pessoas internadas no Estado de São Paulo por Coronavírus morre

De cada cinco pacientes internados nas UTIS, ou seja, nas Unidades de Terapia Intensiva dos hospitais do Estado de São Paulo por causa do novo Coronavírus, um acaba morrendo. A estimativa foi divulgada no começo da tarde desta quinta-feira (14), em uma coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo Paulista.

Ainda segundo a equipe do Governo do Estado, 69% dos leitos de UTI do Estado estavam ocupados até o fechamento desta reportagem. A taxa na Grande São Paulo era ainda maior: 85,5%. Na coletiva foi divulgada, também, a atualização dos casos e de mortes causadas pelo novo Coronavírus na unidade da Federação mais atingida pela doença até o momento: 54.286 ocorrências foram confirmadas em São Paulo, com 4.315 mortes. 

A taxa de letalidade nos leitos de UTI de São Paulo por causa da Covid-19 é algo que causa muita preocupação. Segundo o médico Paulo Menezes, coordenador do Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde, a doença é mais agressiva do que era esperado. “8% das pessoas que foram diagnosticadas vieram a óbito. E não foi por falta de leitos de UTI, pois isso não está acontecendo no Estado de São Paulo. O motivo é que a cada dia que passa, nós entendemos que a doença é mais grave, que o vírus é mais agressivo do que parecia no início da pandemia. A gente vai compreendendo mecanismos de como o vírus ataca os diferentes sistemas do indivíduo. E hoje tá ficando claro que a infecção causa uma doença sistêmica, não só uma doença pulmonar”, disse.

Um dos integrantes da OMS, que é a Organização Mundial da Saúde, afirmou na última quarta-feira que a Covid-19 pode se tornar endêmica, ou seja, nunca desaparecer. O diretor do Instituto Butantan e coordenador interino do Centro de Contingência contra o novo Coronavírus em São Paulo, Dimas Covas, avaliou essa possibilidade. “Tudo o que nós sabíamos das epidemias anteriores foi desafiado por essa nova pandemia. Uma das questões do momento é exatamente isso. Se a imunidade que o indivíduo desenvolve contra o vírus é permanente ou não. Os primeiros indícios mostram que não. Portanto, se não há essa proteção de longo prazo, isso significa que o vírus vai continuar circulando. Daí a necessidade de uma vacina. Neste momento existem mais de uma centena de vacinas, em diferentes fases de desenvolvimentos, no mundo”, analisou.

A equipe de Saúde do Governo de São Paulo também reforçou que a Hidroxicloroquina, medicamento usado pra tratamento de doenças como a Lúpus, defendida de forma repetida pelo presidente Jair Bolsonaro no combate à Covid-19, ainda não tem uma eficácia comprovada pra este fim. Quem disse isso foi o coordenador interino do Centro de Contingência contra o novo Coronavírus em São Paulo, Dimas Covas. “Neste momento nós temos vários estudos controlados, que saíram em vários países, mostrando que essa contribuição é limitada. E além de ser limitada, ela têm um grande problema, que são os efeitos colaterais. No nosso caso, aqui no Brasil, o CFM (Conselho Federal de Medicina) já definiu as normas para a utilização da Hidroxicloroquina. O médico tem o poder de indicar, desde que haja concordância do paciente. E que explique o tamanho do benefício e dos efeitos adversos”, pontuou.

Mais detalhes das ações do Governo de São Paulo contra o novo Coronavírus estão no seguinte site: saopaulo.sp.gov.br

Imagem: Governo do Estado de São Paulo

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