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Por Celina Silveira

Unimed Campinas nega exame de RT-PCR para menina sintomática

Há quase uma semana os pais de uma menina de nove anos de idade aguardam que a Unimed Campinas disponibilize o exame RT-PCR para diagnóstico de COVID-19.

Na quinta-feira passada, 07 de janeiro, a criança foi levada a um médico particular após apresentar febre de 39,5° graus, dores de cabeça e enjoos.

Na última segunda-feira (11) os pais da criança foram surpreendidos pela Unimed Campinas que negou o pedido de RT-PCR alegando que a criança não tem sintomas, como explica Carolina Carvalho, mãe da criança.

Nesta terça-feira (12), os pais da menina a levaram novamente ao médico particular que, diante da recusa da Unimed Campinas em disponibilizar o RT-PCR, fez o pedido de um exame completo de sangue que aguarda análise da Unimed Campinas que deve durar 10 dias úteis.

No início da tarde desta quarta-feira (13), cinco dias após o pedido do exame RT-PCR, a Unimed Campinas chegou a aprovar a solicitação, mas voltou atrás e colocou o pedido em análise novamente, afirma Fernando Moura, pai da criança.

Em nota, a Unimed Campinas afirma que “o quadro clínico do paciente, apresentado no pedido do exame, deve se enquadrar nas Diretrizes de Utilização preconizadas pela ANS”, a Agência Nacional de Saúde. 

Questionamos como a equipe técnica da Unimed Campinas pôde afirmar que a criança está sem sintomas se o relatório do médico que a atendeu diz exatamente o contrário, e a assessoria da Unimed Campinas respondeu, em nota, que o pedido de exame encaminhado não apresenta o CID específico de Covid-19, nem cita um ou mais sintomas da doença. 

Nós tivemos acesso ao pedido do RT-PCR assinado e enviado à Unimed Campinas pelo médico que atendeu a criança. No documento há dois códigos que classificam os sintomas observados: o CID J 11, que representa paciente com Síndrome Gripal (SG), e o CID B 34, que representa paciente com infecção viral desconhecida.

Segundo a Resolução Normativa 453 publicada pela ANS em março de 2020, os convênios médicos particulares são obrigados a cobrir o exame RT-PCR quando o paciente se enquadrar na definição de caso suspeito ou provável de COVID-19.

Segundo o Ministério da Saúde, enquadra-se em casos suspeitos de COVID-19 o paciente que estiver com sintomas de Síndrome Gripal (SG) ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

A Rádio Brasil Campinas questionou novamente a Unimed Campinas do motivo do exame RT-PCR ter sido negado e a Unimed afirma, em nota, que o pedido do RT-PCR foi negado porque, além do código de classificação de doença, o pedido deve apresentar pelo menos dois sintomas relacionados.

A nota afirma ainda que o CID J11 não faz referência à síndrome gripal (SG), diferentemente do que diz o Ministério da Saúde.

* Atualização em 14/01/2021: A Unimed Campinas afirma, por meio de sua assessoria, que a afirmação de que o exame RT-PCR chegou a ser aprovado no dia 13/01/2021 não procede e que os pedidos de exames de sangue foram aprovados.

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