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Por Celina Silveira

Variante amazônica pode ser responsável por 93% dos casos em Araraquara-SP; variantes ainda não identificadas podem estar circulando na região, afirma infectologista

Um estudo conduzido no Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP) indica que a variante brasileira do novo coronavírus – denominada P.1 – pode corresponder a 93% dos casos de Covid-19, em Araraquara – SP.

Os pesquisadores analisaram 57 amostras coletadas de pacientes que receberam diagnóstico da doença entre os dias 25 de janeiro e 23 de fevereiro de 2021. Em 93% dos casos, os testes confirmaram a presença da variante amazônica.

Em Campinas, a Secretaria Municipal de Saúde aguarda os resultados de sequenciamento genético de 13 amostras enviadas ao Instituto Adolfo Lutz, em 22 de fevereiro. Mesmo sem a confirmação laboratorial, é possível dizer que a variante amazônica já está circulando em Campinas, afirma o secretário Lair Zambon.

“Na verdade a P.1, com certeza, ela está andando no Brasil inteiro. Apesar de não termos os resultados de Campinas, as evidências mostram que ela está circulando no Brasil inteiro.”

Segundo a infectologista Raquel Stucchi, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, todos os vírus sofrem mutações constantemente, mas quanto mais o vírus se transmite, maior é o número de mutações, aumentando o risco das chamadas “mutações de atenção” – aquelas que são capazes de mudar as características do vírus ou da doença.

Além das variantes já conhecidas, como a da Amazônia, do Reino Unido e da África do Sul, outras variantes já devem estar circulando entre nós, afirma Stucchi.

“Se continuarmos possibilitando que o vírus de transmita, sem dúvida, teremos variantes, e na minha opinião já devemos ter outras variantes no nosso meio.” 

Mesmo com as variantes do coronavírus, as medidas sanitárias já conhecidas, como higienizar as mãos com frequência, não participar de aglomerações e usar máscaras de proteção, seguem recomendadas para evitar a Covid-19.

Além delas, o poder público precisa apresentar soluções para as aglomerações no transporte público coletivo ou corremos o risco de passar por momentos mais difíceis com a pandemia, afirma a infectologista Raquel Stucchi.

“Esperamos que o poder público providencie transporte urbano que não seja motivo de aglomeração. Agora, se as pessoas continuarem se aglomerando, sem usar máscara, se o transporte público continuar lotado nós vamos ter momentos bem piores do que estamos vivenciando hoje”.

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